ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

A CRISE!... Cada um vê-a com os seus olhos! Quem terá razão?

Eu vejo-a assim: Esta é uma crise provocada pela fartura! Os desfalques em bancos foram só o pretexto para esta deflagrar! Os países ocidentais foram, até há algum tempo, os principais  productores em larga escala de bens de consumo! O Japão, em certa medida, fez a diferênça no aumento da productividade, o que levou a que o nível de vida aumentasse substâncialmente nos países em desenvolvimento. O colapso aparece agora com os altos índices de productividade de países imergentes como a China e outros, a provocar o desiquilibrio de toda a estrutura comercial  dos países ocidentais. Aquilo que precisamos de vender por 10 para podermos ser viáveis, os chineses podem vender por 3, dadas as Leis de Trabalho e os salários vigentes nesses países! Resultado: é uma pressão tão forte que as empresas mais afectadas por essa concorrência não têm qualquer hipótese de subsistir, e este é o resultado. Mesmo assim, penso que quem mais paga esta situação são os pequenos industriais dos ramos mais afectados pela concorrência. Há sempre alguém que aponta a crise como a responsável por todos os males! Se virmos, quando vamos comprar um televisor, um computador, uma mobília, um fato ou uma viagem de avião, não dizemos nada quando vemos que todos estes bens estão substâncialmente mais baratos.

Muito mais haverá a dizer sobre isto, e para isso convido os meus amigos a manifestarem as suas opiniões. Zé Reis

 

 

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Respostas a este tópico

Olá amigo Antonio Jorge. Esta fábula tão simples dá, de forma eloquente, sentido àquilo que é a minha maneira de sentir esta controvérsia. Com a experiência de funcionário de topo, desde os meus 22 anos até aos 35, numa empresa com cerca de 80 trabalhadores, passei a ser empresário dos 35 até aos 66. Fui sindicalista, e penso que essa actividade me fez ver aquilo que estava correcto e aquilo que estava errado no mundo laboral! A conclusão a que cheguei, é a de que os sindicatos tiveram um papel importante na organização das relaçôes do trabalho! Com o desenrolar da Democracia, os governantes aperceberam-se de que o grosso dos votos eleitorais estavam nas mãos dos trabalhadores! Esse facto deu a estes o poder necessário para poderem fazer passar na Assembleia da República todas as Leis que achavam do seu interresse. É sabido que, infelizmente, a classe trabalhadora não é a mais culta dentro das sociedades - que me perdoem os membros da classe a que pertênço - e as suas opções em matéria de defesa dos seus direitos nem sempre é, a meu ver, as que mais lhes conviria, fruto da instrumentalização, por parte de dirigentes que proferem os discursos que os desinformados querem ouvir! Se virmos, quando um derigente sindical pede aumentos para os trabalhadores, mais férias, menos horas de trabalho, isso é música para o ouvido do trabalhador, mas não garante que o trabalhador vá ter uma vida melhor daí para a frente! Essas conquistas devem ser consolidadas, mas tem de haver um timing próprio. Mesmo quando não é culpa nossa, " não é quando a nossa mãe está endividada que lhe vamos pedir luxos", sob pena desses luxos nos acarretarem miséria no futuro. E não tenhámos ilusôes, "em tempo de fome são sempre os trabalhadores que ficam sem comer"! Da minha experiência, há uma situação que ressalta e me admira: normalmente, dentro de uma empresa, são mais os casos de bons trabalhadores do que de maus! Por isso tenho dificuldade em compreênder como é que estes não veêm que os outros vivem à sua sombra e colhem os frutos da sua productividade, alinhando em petições que só lhes vão tirar benefícios em favor de outros que os não merecem! Quando eu era empregado nunca alinhei muito nos despedimentos só com justa causa; eu sabia que o meu patrão nunca iria me despedir nem aos meus colegas válidos. Nós éramos-lhe imprescindíveis. A fazê-lo seria aos inválidos que parasitavam os colegas productivos e isto obrigava-os a ser tão activos como estes. Para mim, a filosofia: " Para trabalho igual, salário igual ", deve ser complementada com: " Para salário igual trabalho igual ". Infelizmente isto não se observa na legislação nacional. Alinho numa sociedade solidária, mas não vou ao ponto de achar que uns devem ser burros de carga de outros mais espertos. Analisando a nossa legislação laboral, é notório que esta não passa de uma aberração, resutado do aproveitamento político por parte de quem dá esmolas com dinheiro tirada do bolso do próprio mendigo! Se este entendesse isto, deixaria de o ser, porque saberia pôr em respeito aqueles que o usam, prometendo-lhe aquilo que depois lhe vai tirar. Tal como estamos, escrevam, isto nâo vai ser fácil, porque esta CRISE é, na sua maior parte, o resultado deste estado de coisas.
Caro Teófilo, meu amigo. Estou 100% sintonizado consigo, assim como com o nosso amigo António Jorge, pois naquela fábula vejo que não somos só nós a pensar assim! Pena que não seja toda a gente, pois se assim fosse Portugal seria bastante mais justo e mais fácil para todos; não precisaríamos de estar a passar por uma situação tão dramática para os mais desfavorecidos.
Escreva sempre, pois é um gozo conhecer a sua opinião que, quase sempre, coincide com a minha. Um abraço.


Teofilo E Costa Moreira + Ló disse:
Caro José Reis,

pois o problema é exactamente esse, a dificuldade de associarmos equitativamente os direitos aos deveres, e quando falo em associarmos, não falo de nós os dois, mas da generalidade da população.

O exemplo mais flagrante é o de que, quando somos peões, refilamos com os automobilistas por não respeitarem as passadeiras ou os semáforos, mas quando chegamos à carripana deixamos o fato do peão e lá se vai a prioridade dos ditos, e às vezes o amarelo já tinha passado a vermelho, mas... íamos com tanta pressa...

Eu, que tantas vezes estive sentado em Tribunais de Trabalho, concordo plenamente consigo quando diz que os aplicadores da Lei nessas instâncias, tendem a favorecer os empregados - não lhes chamo trabalhadores, pois alguns não merecem tal tratamento - mas ainda assisti a honrosas excepções, e, como já me afastei há algum tempo dessa área, imagino que não tenha melhorado, pois a crise da Justiça é uma das mais violentas que encontramos desde que me lembro, e tem sido um bom ajudante no agudizar da crise.

O patrão nem sempre é o mau da fita, mas do mesmo modo que nem todos somos bandidos, é a estes que a comunicação social dá mais relevo, pois são os que fazem notícia.

Concordo consigo que deveria haver mais juízo, quer por parte das associações patronais, quer da parte das associações sindicais, devendo estas assumirem-se mais como árbitros do que como claques organizadas.

Se as associações patronais punissem os maus associados por más práticas, e se as sindicais fizessem o mesmo a quem prevarica, talvez se harmonizassem um pouco as coisas, mas isso requer educação, respeito pelo próximo e civismo, coisas que a nossa sociedade, infelizmente, tem valorizado pouco nestes últimos anos, excepto nos discursos oficiais.

O nosso amigo António Jorge com a sua modernizada fábula pôs o dedo na ferida, queira a sociedade sará-la que os meios estão ao alcance e nem é preciso gastar muito dinheiro, basta boa-vontade.

Um abraço
Um tanto alinhada com a fábula da galinha, vai aqui uma experiência desenvolvida no longínquo ano de 1931.

EXPERIMENTO INTERESSANTE OCORRIDO EM 1931

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ' justo '.

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas. ' Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas.
Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.
Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe.
A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.
No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.
Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade”.
Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

Adrian Rogers, 1931
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Caro António Jorge, creio que o facto do Adrian Rogers decidir que o que era 'justo' deveria ser a média das notas e não o esforço despendido para o seu alcance, inquinou a experiência desde o início. A partir daí, tudo o resto estava destinado ao fracasso.

Um abraço

AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda disse:
Um tanto alinhada com a fábula da galinha, vai aqui uma experiência desenvolvida no longínquo ano de 1931.

EXPERIMENTO INTERESSANTE OCORRIDO EM 1931

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Pois é aí, caro Teófilo, que começa o problema. Sob o teu ponto de vista do que seja o "justo", não há duvida de que a experiência mostrou-se viciada. Porém, o que, indubitavelmente, seria o "justo"? O apontado por Adrian Rogers ou o apontado pelo amigo? Ou, ainda, "justo" seria - hipotéticamente e apenas para ilustrar - o que eu, com uma terceira percepção do que é "justo", acho? Essa é a grande dificuldade para equacionar os interesses humanos. Não há como tratar igualmente desiguais.


Teofilo E Costa Moreira + Ló disse:
Caro António Jorge, creio que o facto do Adrian Rogers decidir que o que era 'justo' deveria ser a média das notas e não o esforço despendido para o seu alcance, inquinou a experiência desde o início. A partir daí, tudo o resto estava destinado ao fracasso.

Um abraço

AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda disse:
Um tanto alinhada com a fábula da galinha, vai aqui uma experiência desenvolvida no longínquo ano de 1931.

EXPERIMENTO INTERESSANTE OCORRIDO EM 1931

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Para reativar este "post" apreciemos um humorístico sobre o tema.
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Clique AQUI para entender a crise financeira mundial
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Bom, esta é uma alegoria que "ataca" com alguma graça aspectos, alguns deles fundamentais, da crise que nos envolve. Contudo, acho que a crise não é só isto! Ela dispersa "pontapés" em todas as direcções, o que faz com que, às vezes, a possámos julgar de forma contraditória. Penso que não será erróneo pensar, que ela começa com o ataque à estrutura comercial ocidental, com a introdução dos novos productos provenientes dos países emergentes do sudeste asiático. As vias de escoamento não estavam preparadas para assimilar o excepcional acréscimo de productos disponíveis, o que levou ao colápso de uma tão elevada quantidade de empresas! Depois aparecem os predadores que se apoderam das fraquezas do sistema semeando o caus, para melhor se aproveitarem da situação. Para melhor entenderem a situação, vou contar uma estória que se passou comigo:
À volta de 1996/97, era propriedade minha a fábrica de confecçôes Vanex e a botique Magic Moda. Portanto, nessa altura, eu tinha um negócio de producção e outro de comercialização. Ambos funcionavam de forma satisfatória, com uma rentabilidade suficiente para satisfazer todos os seus compromissos financeiros! Não dava para enriquecer, mas dava para pagar com dignidade a todos os meus empregados, sem que para isso eu tivesse que perder o sono. Nessa altura, os productos que eu vendia na minha botique, alguns eram fabricados por mim, outros eram comprados a outros productores, inclusive estrangeiros. Um dia, numa das incursões que fazia pelas feiras de apresentaçõe de moda, reparei num stand que vendia blusões provenientes da China. Quando vi o preço fiquei espantado! Estes custavam quase metade dos similares comprados às firmas portuguesas! Entusiasmei-me e, de uma só vez comprei cerca de trezentas peças, pensando que comprava já blusões para todo o ano! Logo que chegaram, as quatro montras da botique, mesmo contra a vontade da minha mulher, ficaram engalanadas só com blusões de todas as formas e feitios! Pois meu amigo, dado os preços, os blusões que eu tinha comprado para um ano, esgotaram-se logo após uma semana! Isto foi o suficiente para eu logo nessa altura pensar: estou frito! Logo poucos meses depois, a Maniak, firma suíssa para quem eu trabalhava quase em exclusivo, começou a reduzir às encomendas, justificando a agressividade da concorrência chinesa. Quase um ano depois, para fazer face a esta concorrência, o meu cliente pediu-me para reduzir 5% aos preços para ver se as coisas melhoravam! Não resultou, continuando as encomendas a diminuir ao ponto de eu ter de aceitar encomendas de outro cliente Dinamarquês. Com este, no princípio, tudo corria bem, mas, com o tempo, as coisas começaram passar-se como com o outro, ao ponto de termos que fechar! No princípio eu não me apercebi, mas eles copiaram a nossa tecnologia e foram para China com as encomendas, pois lá pagam preços irrisórios. Penso que esta é a causa mais marcante da crise: virámo-nos a comprar as coisas baratas destes países, que no fundo são lixo, e assim atiramos para o desemprego os nossos trabalhadores! Coisas tão simples que quase toda a gente tem dificuldade de vêr! abraço

AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda disse:
Para reativar este "post" apreciemos um humorístico sobre o tema.
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