ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

Caros amigos. Uma vez que a construção barra é uma questão que, a meu ver, está quase fora de questão, e talvez esteja ainda por nascer aquele que algum dia a vá ver feita, queria pôr à discussão da malta da Ribeira, o que pensa sobre a RESTINGA da praia de Fão. Como sabem, ao longo de mais de duas décadas que ela teima em deixar-se ir por água abaixo e a sua reposição acaba sempre da mesma forma: dinheiro para a maré levar! Moro mesmo em frente a ela, e sempre que assumo a varanda, não posso deixar de a observar. São mais de duas décadas a presenciar a teimosia das pessoas, que não aprendem nada com as asneiras que sistemáticamente vão repetindo! E eu pergunto porquê? Em primeiro lugar, se a querem preservar têm que a proteger na ponta do norte com um molhe, pois de contrário o mar começa tudo de novo como se fosse um gelado na boca de uma criança! Começa a lamber a ponta norte e vai progredindo para sul  ao rítmo das maresias quando de marés vivas. Uma coisa que tenho observado também é que quando a areia se vai, o mar não representa perigo para a marginal como seria de esperar! É que quanto maior é a maresia, mais ela se desfaz lá fora nos baixios! Ou seja: as vagas conforme vão alcançando a terra, vão-se despedaçando e perdendo a força nos sucessivos baixios que lhe  vão fazendo frente pelo caminho! Depois, à terra só chegam os fragmentos dessas vagas gigantes. Essas montanhas de pedra submersas a que chamamos baixios e tornam a nossa costa tão perigosa para a navegação, são as mesmas que nos protegem nas grandes maresias! Assim o facto de a praia estar descarnada, não é tão perigoso como seria de esperar e a paisagem, devo dizer, é muito mais bonita! Eu devia ser o primeiro a ter medo do facto de a restinga não estar composta, pois  em caso do mar galgar a terra eu estaria na linha da frente a sofrer as consequências. Há outras situações que gostaria de comentar, mas espero os comentários dos intervenientes:

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Doutora parabéns pelas fotos. São bonitas e uma, pelo menos, é elequente: mostra o que adianta criar dunas artificiais num sítio destes, sem as proteger! Vem o mar e espalha a areia por onde não deve, criando assim dificuldades e perigos evitáveis.

MARGARIDA M.QUINTA COSTA REIS disse:

Eu gostava muito de participar numa discussão destas. Infelizmente, sinto-me um absoluto ignorante perante a problemática em causa.
Gostava muito de saber dos estudos que foram elaborados para a Restinga/Estuário/Foz/Litoral de Esposende. Tenho ideia de que há muitos anos o LNEC procedeu ao estudo desta área, inclusivé com monitorização e maqueta. Vou tentar saber. De qualquer modo, a realidade já não é a mesma.
Era bom que se pudesse confrontar as análises empíricas (embora reconhecendo que contêm já algo de científico) e as científicas e experimentais oficiais.
O José Alexandre respondeu por mim, pois não tenho conhecimentos quer académicos quer quaisquer outros que possam ser úteis para uma discussão séria do assunto.

Lembro-me de ter lido algo sobre a influência que os molhes do porto de Leixões tiveram sobre Fão, do mesmo modo que os de Espinho afectaram a restinga do Cabedelo, na barra do Douro, mas fiquei por aí.

Abusivamente, e peço desculpa à Doutora Margarida por isso, alterei uma foto da Doutora para desenvolver uma ideia: Quem não se lembra de ver a nossa barra assim? Quem não se lembra de ver a saída da barra voltada para o sul? Ou para sudoeste, ou oeste, ou até mais raras vezes, para noroeste? Porquê? Estas coisas acontecem por acção de factores mutáveis como ventos, correntes, marés vivas, deslocação de inertes no rio, etc.! Elementos imprevisíveis que, quando conjugados, podem alterar completamente a configuração da foz em pouco tempo. Como se vê na foto, à criação de praia a sul do cais do norte pela acção das nortadas constantes no verão, contrapõem-se as águas das cheias provocadas pelas chuvas de inverno que, no espaço de uma só semana, pode barrer todos aqueles milhares de toneladas de areia! Nestas coisas ninguém sabe exactmente o que se vai passar a seguir... a única coisa que se sabe com certeza é que a barra está sempre em constante mutação e ninguém tem na algibeira a chave para este problema, se não forem criadas estruturas fixas que não se demovam com a acção das vagas e das correntes.
Na sequência de uma troca de mensagens "menos pública" que tive sobre este assunto com o Alexandre Basto, ele sugeriu que eu participasse nesta discussão. Aqui vão, portanto, algumas reflexões.

Começo por uma pequena introdução, para dar uma ideia do meu ponto de partida sobre o assunto. Sou engenheiro costeiro e oceanográfico de formação, embora a minha carreira profissional me tenha afastado deste tema há duas dezenas de anos. Tenho, portanto, uma certa base "académica" nesta área e uma experiência, muito "enferrujada", de alguns anos de trabalho em áreas adjacentes. Mas nunca trabalhei directamente em questões de dinâmica litoral e não me considero de maneira alguma possuidor da verdade absoluta ou de qualquer solução para a barra do Cávado. O que se segue é apenas uma reflexão pessoal sobre um assunto que me toca enquanto esposendense de adopção mas também como português, visto que o problema não é, na minha opinião, um problema de Esposende mas sim um problema muito mais geral de gestão da costa portuguesa (e galega).

Os problemas da barra de Esposende têm que ser vistos em conjunto com todo o litoral ou, se se adoptar uma atitude mais egoísta, com o litoral a norte de Esposende (nesta área, o transporte de areia é praticamente todo de norte para sul, por isso o que acontece a sul de Esposende "não nos interessa"). Não é fácil discutir o assunto em meia dúzia de linhas, mas na minha opinião o problema geral é o mau planeamento ou a ausência total de planeamento. E essa ausência de planeamento sente-se tanto mais quanto a barra do Cávado é mantida de maneira totalmente artificial. Em condições naturais, a foz do Cávado, migraria, ano após ano, entre a posição actual e a zona do hotel do Ofir, ou até mesmo mais para sul. Com as consequências óbvias de que a navegabilidade não seria sempre garantida, e que tudo o que foi construído na restinga do Ofir poderia ser levado pelo rio. A opção tomada há muitos anos foi a de fixar a foz na localização actual. É uma opção tão válida como qualquer outra mas que, como qualquer outra, tem custos associados, e as obras mencionadas pelo José Reis Loureiro para reforçar a restinga e não permitir a abertura pelo rio de uma segunda ligação ao mar são um exemplo desses custos.

Mas esta questão está directamente ligada com a situação geral das praias do litoral norte, que estão, de uma maneira geral, num estado desastroso. E a origem, também aqui, tem que se procurar em tempos que já lá vão, em projectos como a ampliação do porto de Viana ou, andando mais para trás, com a construção de uma série de barragens que limitaram de manera drástica a quantidade de areia que chega ao litoral. Ao mesmo tempo, continuou a fazer-se a extracção de areias para a construção civil nas praias e os problemas foram sendo "resolvidos" construindo mais uns molhes para proteger uma ou outra praia, sem que o problema tenha sido enfrentado de uma maneira global.

Em resumo, acredito firmemente que não se pode continuar a tentar resolver os problemas caso a caso e sem olhar aos danos criados pelas "soluções", mas uma gestão integrada requer uma mudança radical de atitudes que não imagino possível num futuro próximo. No quadro actual, a conservação da barra do Cávado (e parece que a da praia não é já sequer uma questão premente) vai custar cada vez mais caro e com resultados que, a longo prazo, serão cada vez menos seguros. A construção de um molhe para fixar a extremidade norte da restinga, como sugerido pelo José Reis Loureiro, limitaria certamente o problema a curto prazo, reduzindo a erosão da restinga pelo lado do mar, mas seria, mais uma vez, uma medida com impacto local e a curto prazo, sem resolver os problemas de fundo.

Gostaria de ter uma visão mais optimista, mas não vejo uma alteração de atitudes, da parte das várias autoridades competentes (que são muitissimas, e isso é também parte do problema) para enfrentar o problema de maneira coordenada e devidamente estudada e para, uma vez que as decisões necessárias sejam tomadas e incluídas nos vários instrumentos de planeamento, assegurar que esses instrumentos serão aplicados, sem cedências pontuais ou sistemáticas que acabem por os desvirtuar.

Ficarei bem contente se esta discussão puder contribuir, ainda que de uma forma muito limitada, para sensibilizar os responsáveis para estes problemas.

Votos de uma Boa Páscoa para todos.

Joaquim Capitão
Caro Eng. Joaquim Capitão.
Sou um esposendense nascido e criado na Ribeira onde continuo a viver. Não tenho qualquer formação académica que avalize o teor das minhas convicções. Apenas o interesse e a experiência adquirida no contacto directo com esta problemática dá algum suporte aquilo que penso! E penso que há muita razão naquilo expõe, por exemplo: o problema prende-se, como diz, com a falta de reposição das areias deslocadas para sul, ao longo da costa litoral Ibérica. Naturalmente que as correntes dominantes do norte e as nortadas, sempre motivaram esse efeito! Mas, há algumas décadas atrás, essas perdas que eram repostas com as enxurradas de areia carregadas pela corrente das cheias, foram drásticamente interrompidas pela acção das barragens que, em grande parte, anularam essa situação! Para cúmulo, a construção civil levou ainda uma boa parte dos inertes existentes no leito dos rios. Agora, a pouca areia extraída da erosão e encaminhada para o rio a jusante das barragens, tem ficado retida na reposição dos poços criados pela extração! Assim, penso que este será o cerne da questão. Agora relativamente a Esposende fazer parte de um problema global, concordo mas, temos que ter em conta que Esposende é um ponto muito crítico! Esposende precisa, senão de uma intervênção de fundo que resolva o problema já, ao menos uma cosmética que não deixe que o mal se agrave. Naturalmente que um tema desta natureza não se esgota no enquadramento de uma meia dúzia de linhas, mas penso que teria interesse ser tratado em mesa redonda, e com pessoas mais habilitadas do que eu.
Boa Páscoa e um abraço. josé Reis

Joaquim José de Areia Capitão disse:
Na sequência de uma troca de mensagens "menos pública" que tive sobre este assunto com o Alexandre Basto, ele sugeriu que eu participasse nesta discussão. Aqui vão, portanto, algumas reflexões.

Começo por uma pequena introdução, para dar uma ideia do meu ponto de partida sobre o assunto. Sou engenheiro costeiro e oceanográfico de formação, embora a minha carreira profissional me tenha afastado deste tema há duas dezenas de anos. Tenho, portanto, uma certa base "académica" nesta área e uma experiência, muito "enferrujada", de alguns anos de trabalho em áreas adjacentes. Mas nunca trabalhei directamente em questões de dinâmica litoral e não me considero de maneira alguma possuidor da verdade absoluta ou de qualquer solução para a barra do Cávado. O que se segue é apenas uma reflexão pessoal sobre um assunto que me toca enquanto esposendense de adopção mas também como português, visto que o problema não é, na minha opinião, um problema de Esposende mas sim um problema muito mais geral de gestão da costa portuguesa (e galega).

Os problemas da barra de Esposende têm que ser vistos em conjunto com todo o litoral ou, se se adoptar uma atitude mais egoísta, com o litoral a norte de Esposende (nesta área, o transporte de areia é praticamente todo de norte para sul, por isso o que acontece a sul de Esposende "não nos interessa"). Não é fácil discutir o assunto em meia dúzia de linhas, mas na minha opinião o problema geral é o mau planeamento ou a ausência total de planeamento. E essa ausência de planeamento sente-se tanto mais quanto a barra do Cávado é mantida de maneira totalmente artificial. Em condições naturais, a foz do Cávado, migraria, ano após ano, entre a posição actual e a zona do hotel do Ofir, ou até mesmo mais para sul. Com as consequências óbvias de que a navegabilidade não seria sempre garantida, e que tudo o que foi construído na restinga do Ofir poderia ser levado pelo rio. A opção tomada há muitos anos foi a de fixar a foz na localização actual. É uma opção tão válida como qualquer outra mas que, como qualquer outra, tem custos associados, e as obras mencionadas pelo José Reis Loureiro para reforçar a restinga e não permitir a abertura pelo rio de uma segunda ligação ao mar são um exemplo desses custos.

Mas esta questão está directamente ligada com a situação geral das praias do litoral norte, que estão, de uma maneira geral, num estado desastroso. E a origem, também aqui, tem que se procurar em tempos que já lá vão, em projectos como a ampliação do porto de Viana ou, andando mais para trás, com a construção de uma série de barragens que limitaram de manera drástica a quantidade de areia que chega ao litoral. Ao mesmo tempo, continuou a fazer-se a extracção de areias para a construção civil nas praias e os problemas foram sendo "resolvidos" construindo mais uns molhes para proteger uma ou outra praia, sem que o problema tenha sido enfrentado de uma maneira global.

Em resumo, acredito firmemente que não se pode continuar a tentar resolver os problemas caso a caso e sem olhar aos danos criados pelas "soluções", mas uma gestão integrada requer uma mudança radical de atitudes que não imagino possível num futuro próximo. No quadro actual, a conservação da barra do Cávado (e parece que a da praia não é já sequer uma questão premente) vai custar cada vez mais caro e com resultados que, a longo prazo, serão cada vez menos seguros. A construção de um molhe para fixar a extremidade norte da restinga, como sugerido pelo José Reis Loureiro, limitaria certamente o problema a curto prazo, reduzindo a erosão da restinga pelo lado do mar, mas seria, mais uma vez, uma medida com impacto local e a curto prazo, sem resolver os problemas de fundo.

Gostaria de ter uma visão mais optimista, mas não vejo uma alteração de atitudes, da parte das várias autoridades competentes (que são muitissimas, e isso é também parte do problema) para enfrentar o problema de maneira coordenada e devidamente estudada e para, uma vez que as decisões necessárias sejam tomadas e incluídas nos vários instrumentos de planeamento, assegurar que esses instrumentos serão aplicados, sem cedências pontuais ou sistemáticas que acabem por os desvirtuar.

Ficarei bem contente se esta discussão puder contribuir, ainda que de uma forma muito limitada, para sensibilizar os responsáveis para estes problemas.

Votos de uma Boa Páscoa para todos.

Joaquim Capitão
Amigos.
Venho acompanhando com muito interesse as várias intervenções havidas neste tópico.
Não tenho conhecimento técnico para discorrer sobre as determinantes da formação das areias nas costas nada podendo adicionar ao já dito.
Mas, em relação a tudo o que foi exposto até agora, estranho a referência aos acontecimentos modernos - como barragens e retiradas de areia do Cávado para construção - como sendo algumas das causas partícipes nas variações da forma da barra e da restinga.
É sabido que a areia origina-se da decomposição de partes das rochas altas das montanhas ( processo complexo que não cabe explicar ) e que por efeito de ventos e enxurradas chega aos rios e finalmente ao mar. Mas isso é um processo de milhares ou mesmo milhões de anos, imagino. Da forma como foi referido dá a entender que, no passado, a areia era constantemente reposta pela ação do rio. Acho que isso não está correto. Até onde vai meu parco conhecimento, aquelas areias ( da costa ) que são varridas em todas as direções, estão lá há milhares de anos recebendo ínfimo reforço do rio ano após ano.
Esta é minha impressão. Estarei errado?

FELIZ PÁSCOA.
Caros amigos,

A perda de areia das praias do litoral português, infelizmente demasiado evidente na zona de Esposende, não pode, evidentemente, ser definida "em duas penadas" e a minha contribuição anterior peca, evidentemente, por demasiado simplista.

As razões que levam à erosão das praias são múltiplas, algumas mais dependentes da acção humana do que outras. Há, por exemplo, uma variação sazonal, que faz com que as praias tenham muito mais areia no Verão do que no Inverno, devida simplesmente às diferenças de ondulação. Extrapolando essa situação, é óbvio que uma série de anos com ondulação mais forte do que a média levará rapidamente a uma erosão das praias (devida à deslocação da areia perpendicularmente à costa, para zonas mais profundas) que vai demorar muitos anos a "corrigir". Não analisei registos de ondulação das últimas décadas para poder avaliar o impacto sobre as praias de Esposende de uma possível intensificação da ondulação e não sei, portanto, quanto da situação actual é devida a factores climatéricos.

Mas, para além destes factores mais ou menos incontroláveis, qualquer livro que trate de erosão de praias refere normalmente três factores que conduzem à erosão: a fixação das costas (construção de paredões para protecção das zonas costeiras, limitando o fluxo de areia perpendicularmente à costa); a construção de estruturas costeiras, como portos, que limitam o fluxo de areia ao longo da costa; e a regulação dos rios (incluindo a construção de barragens), que limita a chegada de areia à costa.

E tem obviamente razão o António Jorge Mota Cruz quando diz que o processo de formação da areia é um processo que se mede em tempos geológicos. O processo de transporte, no entanto, é muitissimo mais rápido. Sem tentar entrar em longas explicações, aqui vão dois exemplos que penso podem ajudar a compreender o impacto da construção de estruturas costeiras e da regulação dos rios:

- Muitos de vós lembrar-se-ão provavelmente do prolongamento do molhe de Esposende. Lembrar-se-ão provavelmente também da enorme quantidade de areia que, em poucos anos, se juntou e alargou de forma considerável a praia, não só imediatamente a norte do molhe mas até mais para norte (quem conhecer a Figueira da Foz e se lembrar da praia antes das obras do porto tem um exemplo semelhante mas ainda mais flagrante).

- Infelizmente não me lembro da referência exacta, mas há casos em Portugal de barragens completamente assoreadas em poucas décadas. Esse assoreamento deveu-se exclusivamente à quantidade de sedimentos que chegaram de montante.

Não pretendo com isto dizer que as decisões de ampliar portos como o de Viana ou de construir barragens foram decisões erradas. Como disse na minha contribuição anterior, foram opções tomadas num certo enquadramento e que têm custos. O erro, do meu ponto de vista, foi o insuficiente planeamento que levou a que esses custos (não necessariamente económicos, pelo menos de forma directa, como a perda de praias) não tenham sido previstos ou as necessárias medidas de correcção não tenham sido tomadas.

E avanço desde já que estou numa posição muito confortável de quem faz "previsões a posteriori"... Quem tomou as decisões em questão teve que o fazer com base nos conhecimentos que existiam na altura, pelo que não serei eu a atirar a primeira pedra... Além disso, existem actualmente tecnologias que permitem a transposição pela areia de estruturas como aquelas de que falei, mas nada disto existia quando muitas delas foram construídas.

Daí a minha ideia fixa de que é necessário agir de maneira coordenada e fazê-lo rapidamente. E penso que para obter resultados é preciso partir sem ideias pré-concebidas, analisar as várias opções em relação aos interesses que é necessário sacrificar para salvaguardar outros que não se querem sacrificar. Infelizmente vejo-me tentado a concordar com o ponto de vista aqui defendido de que são necessárias medidas "cosméticas", para usar a expressão do José Reis Loureiro, uma vez que as intervenções de fundo não parecem ser para amanhã. Mas quanto mais se adiarem essas intervenções de fundo maiores vão ser os custos.

Já agora aproveito para corrigir um comentário que fiz em relação à proposta de construção de um molhe que defenda a ponta norte da restinga. A construção de um molhe provoca um regime de circulação muito particular, que leva à acumulação de areia de um lado e à erosão do lado oposto. Na zona de Esposende, a acumulação de areia ocorre do lado norte e a erosão do lado sul. A maneira de proteger a ponta norte da restinga não pode, por isso, ser pela construção de um molhe na ponta da restinga, mas sim mais a sul, como aliás foi feito há bastantes anos.

Joaquim Capitão
Amigo António Jorge. A nossa diferença de idades é ínfima e do Esposende antigo que eu me lembro, tu desves lembrar-te também. Se te lembrares da praia Suave Mar desse tempo e a comparares com a de hoje, verificarás que ela foi, em grande parte, absorvida pelo mar e isso aconteceu num passado relativamente recente que pode ser enquadrado entre o espaço em que existem as barragens! Portanto se nas centenas de anos anteriores às barragens, as areias se mantinham, é porque algo acontecia que não acontece agora. De resto, eu lembro-me de que, quando era criança, o leito do rio depois de uma cheia apresentava uma configuração diferente da que tinha antes: haviam poços que eram cerrados e volumes de areia que desapareciam! Isso pouco acontece hoje! eu observava estes fenómenos porque sempre conheci o rio como as minhas próprias mãos; desde os meus dez anos, sempre velejei e tinha que conhecer o fundo por causa do patilhão do barco. Sempre soube disto, também, porque vivi no meio de pescadores que, melhor que ninguém, conhecem os fenómenos relacionados com o rio e o mar! Eles tinham que conhecer essas movimentações, porque muitas vezes a sua vida dependia disso. Continuação de uma boa Páscoa .zé reis

AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda disse:
Amigos.
Venho acompanhando com muito interesse as várias intervenções havidas neste tópico.
Não tenho conhecimento técnico para discorrer sobre as determinantes da formação das areias nas costas nada podendo adicionar ao já dito.
Mas, em relação a tudo o que foi exposto até agora, estranho a referência aos acontecimentos modernos - como barragens e retiradas de areia do Cávado para construção - como sendo algumas das causas partícipes nas variações da forma da barra e da restinga.
É sabido que a areia origina-se da decomposição de partes das rochas altas das montanhas ( processo complexo que não cabe explicar ) e que por efeito de ventos e enxurradas chega aos rios e finalmente ao mar. Mas isso é um processo de milhares ou mesmo milhões de anos, imagino. Da forma como foi referido dá a entender que, no passado, a areia era constantemente reposta pela ação do rio. Acho que isso não está correto. Até onde vai meu parco conhecimento, aquelas areias ( da costa ) que são varridas em todas as direções, estão lá há milhares de anos recebendo ínfimo reforço do rio ano após ano.
Esta é minha impressão. Estarei errado?

FELIZ PÁSCOA.
Olá, Zé Reis.

Vamos conversar um pouco mais sobre este tema.

Não tenho a experiência do rio de hoje mas tenho lembranças vivas do tempo de criança e de todas as minhas explorações e perigos que nele corri. Básicamente de Fão à foz. Cheguei mesmo, junto com um amigo ali da 5 de Outubro com Rodrigues Sampaio ( raio! não lembro o nome ), a atravessar a tão perigosa pancada de mar da foz num barquinho a remos ( que loucura! ) . Momento houve em que, já retornando, veio uma daquelas vagas e pegou-nos com o barco atravessado ( paralelo à onda ) mas a mão de DEUS chegou na hora e fez do nosso barco como se uma "bodyboard" e posso hoje, estar aqui a contar-te isto. Aliás, eu juro que não precisei me limpar.

Quantas vezes, na maré baixa, atravessamos o rio vencendo as correntes ( bem fortes, me lembro ) entre uma coroa de areia grossa ( que daria para fazer terços ) e outra. Águas límpidas e fundo livre de quaisquer impurezas.

Também, lembro de, certos dias, talvez em maré alta e mar revolto, ter avistado a crista das ondas através da restinga. Hoje, observando a restinga, imagino que isto seja impossível porque, assim me parece, a duna está mais alta do que no tempo em que aí vivi.

O rio, diariamente, por duas vezes, tem a sua maré cheia que nada mais é que o resultado da alimentação por água do mar em sua preiamar e, se razoavelmente conheço o leito do Cávado, este contrafluxo deve aumentar o volume e o nível das águas até uns bons quilômetros rio acima. Na baixa-mar dá-se portanto a descida das águas reproduzindo as correntes quase que par com o que havia antes da existência das represas.

Por outro lado, pergunto: para onde vão os rejeitos industriais? O esgotamento pluvial? E o esgotamento doméstico? As matas ciliares do Cávado estão preservadas para evitar a erosão assim evitando o carreamento das terras marginais para o leito do rio?
A deposição dos sedimentos decorrentes de todas estas movimentações são muito impactantes ao causar o assoreamento do rio. Isto, mais que qualquer outra causa talvez possa explicar a diminuição da lámina dágua que lastimas.

Admito que com as barragens há uma perda de volume de água em alguns momentos: quando ela acumula. Porém, ela não é devoradora dágua: usa-a e a todo momento está liberando-a quando produz a energia. Vejo-a mais como regularizadora do fluxo do que como problema. De fato, toda a água nascente acaba, igualzinho como no passado, no mar só que de uma forma mais regularizada.
E não esqueçamos que, em tempos de pouca chuva, as barragens compensam o que roubam quando acumulam.

Por isso, amigo - volto a dizer que é observação de um leigo - tenho a impressão de que tudo que ocorre na barra e restinga tem a ver com o comportamento do mar e, como em tantos lugares neste mundo, há maneiras de atenuar e/ou dirigir as suas forças para o que interessa obter.

Tudo é uma questão de investimento e respectivo retorno.

Um abraço amigo.

José Reis Loureiro disse:
Amigo António Jorge. A nossa diferença de idades é ínfima e do Esposende antigo que eu me lembro, tu desves lembrar-te também. Se te lembrares da praia Suave Mar desse tempo e a comparares com a de hoje, verificarás que ela foi, em grande parte, absorvida pelo mar e isso aconteceu num passado relativamente recente que pode ser enquadrado entre o espaço em que existem as barragens! Portanto se nas centenas de anos anteriores às barragens, as areias se mantinham, é porque algo acontecia que não acontece agora. De resto, eu lembro-me de que, quando era criança, o leito do rio depois de uma cheia apresentava uma configuração diferente da que tinha antes: haviam poços que eram cerrados e volumes de areia que desapareciam! Isso pouco acontece hoje! eu observava estes fenómenos porque sempre conheci o rio como as minhas próprias mãos; desde os meus dez anos, sempre velejei e tinha que conhecer o fundo por causa do patilhão do barco. Sempre soube disto, também, porque vivi no meio de pescadores que, melhor que ninguém, conhecem os fenómenos relacionados com o rio e o mar! Eles tinham que conhecer essas movimentações, porque muitas vezes a sua vida dependia disso. Continuação de uma boa Páscoa .zé reis

AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda disse:
Amigos.
Venho acompanhando com muito interesse as várias intervenções havidas neste tópico.
Não tenho conhecimento técnico para discorrer sobre as determinantes da formação das areias nas costas nada podendo adicionar ao já dito.
Mas, em relação a tudo o que foi exposto até agora, estranho a referência aos acontecimentos modernos - como barragens e retiradas de areia do Cávado para construção - como sendo algumas das causas partícipes nas variações da forma da barra e da restinga.
É sabido que a areia origina-se da decomposição de partes das rochas altas das montanhas ( processo complexo que não cabe explicar ) e que por efeito de ventos e enxurradas chega aos rios e finalmente ao mar. Mas isso é um processo de milhares ou mesmo milhões de anos, imagino. Da forma como foi referido dá a entender que, no passado, a areia era constantemente reposta pela ação do rio. Acho que isso não está correto. Até onde vai meu parco conhecimento, aquelas areias ( da costa ) que são varridas em todas as direções, estão lá há milhares de anos recebendo ínfimo reforço do rio ano após ano.
Esta é minha impressão. Estarei errado?

FELIZ PÁSCOA.

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