ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

Era assim que o FERNANDINHO afirmava as suas verdades quando alguém punha em dúvida as suas afirmações.

O FENANDINHO, Fernando Matos, Fernandinho Ferreiro, foi um personagem que marcou muitas das horas das vidas de algumas gerações de Esposendenses. Também ele apanhou muita da nortada da nossa ribeira, empoleirado nas suas eternas botas de água, calcorreando da casa do Dr. Ramiro para a nossa, da nossa para a minha saudosa Tia Miquinhas, daqui para ali, sem parança. Sem parança é uma forma de expressão, porque não havia ramo de loureiro a que resistisse.

Muitas peripécias conheci deste homem e como eu muitos de vós, concerteza. Resolvi postar este forum no intuito de que, nós que também o conhecemos, leguemos aos mais novos a imagem desta figura tão típica de Esposende.

Fica agora o espaço de intervenção para todos vós e eu prometo contar mil coisas sobre este homem que desde desentupir canos, esvaziar fossas e rachar lenha, tudo fazia para ganhar uns patacos trocáveis por um "copo de gesso cré" na mercearia do Abílio Curvão, no Barrigana, no Marino, tanto fazia.

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Respostas a este tópico

Lamela amigo já conversamos sobre a figura em questão, conheci o filho que era o diabo e a cangosta da "Bruxa", sua mãe que toda a canalha como eu na altura tinha um medo Diabólico de lá passar.
A cangosta da Otilia, assim se chamava e dava um medo de passar por lá, que mal anoitecia era preferível andar mais 10 minutos do que passar em frente à sua casa.
Pois, o Fernandinho. Detentor de uma receita médica única que o mandava " comer às horas e beber às meias"...
O juramento que o Luís cita era uma constante. Mas havia um, mais convincente, quando não acreditavam no primeiro. Uma delícia. vejam só: "ainda a minha mulher ganhe um cancro na língua". Esclarecidos? Venham mais histórias do Fernandinho.Não deve haver ninguém da minha idaade que não conheça, pelo menos, uma.
O Fernandinho era o homem que "desenrrascava" tudo e mais alguma coisa.
Certo dia um tubo entupiu em casa do falecido Dr. Ramiro, seu cliente habitual. Claro que o Fernandinho foi chamado a intervir. Como o tubo em causa era na adega e como o Fernandinho era perigoso nesse local, os donos da casa trataram de por uma empregada (criada como se chamava à altura) a tomar conta do nosso amigo, não fosse ele perder-se no meio de tantas pipas e barricas.
Chegada a hora da merenda a Senhora mandou perguntar ao Fernandinho se não queria beber um copito e comer qualquer coisa. Pronto mestre Fernadinho respondeu: "Hoje não posso comer nem beber nada, que estou purgado!" (suponho que este purgado seria uma cura qualquer para alguma doença). A dona da casa, espantada com o jejum forçado do Fernandinho, retirou a guarda e mandou a empregada fazer uma outra coisa qualquer.
No final da tarde, e vendo que o trabalho não mais acabava, mandou novamente a criada ver o que se passava na adega. O Fernandinho estava deitado de papa para o ar, boca aberta debaixo de uma torneira dum pipo, numa poça de vinho e já quase em estado de coma. De coma?, não, de beba.
O Fernandinho! Como eu me lembro!
Ò Senhora, ( para a minha mâe, quando o advertia para não beber tanto) guarde um fígado em água e um fígado em álcool e veja, ao fim de algum tempo, como estão...
Mais uma do Fernandinho e esta a pedido do Zé Alexandre:

O Fernandinho andava sempre lá por casa. Um dia, andava a fazer qualquer biscatada no quintal, veio à cozinha para perguntar alguma coisa. Entrou e, não vendo ninguém por perto, esgueirou-se para a cozinha. Lá num cantinho estava um garrafão. Ai Nossa Senhora, que tentação! Um garrafão abandonado e ninguém por ali! Pegou no dito e catrapumba. Lábios ao gargalo e toca de matar a sede. Só quando já tinha bebido perto de dois litros é que reparou que era azeite.
A pobre da Rosa, empregada da altura, passou o resto da tarde a limpar o vomitado que ficou pela cozinha toda.
Nessa tarde o meu Pai não lhe deu as cinco "croas" pró "gesso cré".
Saudações:
Servi alguns copos ao Fernandinho, em casa do meu tio Abilio Coutinho, na tasca ao fundo da mercearia.
"Meu menino," lambendo a beiça" põe um copinho de gesso cré" mas não entornes...
E lá servia o copinho que ia numa golada vertiginosa em direcção ao fígado...
Com as suas mãos sempre sujas, do trabalho diversificado que fazia,-BISCATOS- o Fernandinho não ia em conversas e saía logo.
- Tempo é dinheiro, dizia-me ele com a sua voz " avinhada"...
Do bolso do seu fato de macaco, preto como breu, tirava a moeda e lá ia o Fernandinho pela porta fora mas, não demorava muito e o regresso à tasca do Coutinho era rápido. Desconheço as tascas por onde passava antes de entrar na Tasca do meu tio contudo adorava servi-lo porque tinha "pinta de humor"...
Um ab.
Carlos Barros
Outra do Fernandinho.

Uma das actividades do Fernandinho era rachar lenha ao domicílio.
Um dia foi rachar para casa da minha Tia Miquinhas. Ao fim de algumas horas subiu as escadas e disse à minha Tia que o machado não estava em condições. Estava velho e já não ganhava fio. Com esta e com outras convenceu a Tia Miquinhas a dar-lhe autorização para ir comprar um novo à Casa Braga.
Passados dias veio rachar lenha para a minha casa. Pouco depois de começar foi ter com a minha Mãe e lá saíu o discurso, "D. Quininha, o macahado tá velho e já não dá fio." A sua arte era mais de língua do que outra coisa e lá foi ele buscar um machado novo. Só que desta vez a origem não foi a Casa Braga, foi a minha Tia Miquinhas. E assim passou o dito da Rua Trigo de Negreiros (nome da altura) para o Largo Rodrigues Sampaio.
Umas semanas depois passou-se o mesmo na casa do meu Tio Beirão. "Manelzinho, o machado não dá fio." E lá veio a ordem de compra. Dessa vez a mudança foi do Rodrigues Sampaio para a padaria. E tudo foi andando na normalidade dos dias.
Passados tempos, estava a família reunida em casa do meu tio Beirão, a casa da padaria, e o Fernandinho, por coincidência, estava a rachar lenha. A Tia Miquinhs chegou-se à janela e ao ver o machado perguntou: "Manelzinho, mandaste buscar o machado lá a casa?" A minha Mãe do lado comentou de imediato: "Não, Miquinhas, esse machado é meu e é novo." O meu Tio foi espreitar e concluiu: " Esse é o machado novo que o Fernandinho me foi buscar à Casa Braga."
Gerada a confusão chamaram o Fernandinho que, vendo ter sido descoberto em mais uma artimanha, argumentou: "O machado nem é da D. Miquinhas, nem da D. Quininha nem do Sr. Beirão. É DA FAMÍLIA"
O Fernandinho foi fogueiro a bordo do "Trás os Montes" na 1º Guerra Mundial!"
Ele era tudo aquilo que já se disse e também... mecânico de automóveis! Mas só ás quartas-feiras...
Era perito naquilo que apelidava de "canalizações de bordo",ou seja ,«remenda aqui e desarranja ali...» para se manter sempre ocupado!
Por isso, arranjou um desses "biscates" com dia e hora marcada e com pagamento garantido.
O Dr. Ramiro tinha um carro, um Austin muito antigo, mas tratadinho a preceito, que só saía ás quartas -feiras para o transportar ao cinema á Póvoa onde ia sempre acompanhado da mulher.
O Fernandinho, estudou a fundo a "mecânica" do automóvel e descobriu que determinada peça era fundamental para que o motor trabalhassse.
Sabendo que o Dr. Ramiro saía sempre naquele dia da semana, retirou a tal peça do carro...e meteu-a no bolso, sem ninguém dar por nada.
Chegada a hora, o DR. Ramiro vai á garagem e tenta por o carro "em marcha" mas.... nada.
Mandou chamar o Alberto da Cidra, mecânico de renome, que também desistiu dizendo que aquela avaria não era das suas mãos...
O filme da Póvoa era bom e3 o Dr. Ramiro não queria perdê-lo, fosse em que circunstância fosse...
Em último recurso, mandou chamar o Fernandinho, que de imediato vendeu cara a sua intervenção, desculpando-se que era trabalho delicado para um simples ferreiro como ele, que poderiaainda estragar mais.... mas que ia tentar.
Com a decida "humildade" meteu-se debaixo do carro e deu uma marteladas leves a fazer de conta que estava em oplena activdade. Ainda nada tinha feito, quando começo a ditar ordens ao Dr. Ramiro que estava dentro do carro ao volante e com a chave de ignição na mâo direita.
- Desande a chave, Sr. Dr.... Agora.
- Raios... isto está preto...
- Outra vez, sr. Dr.... Agora...
O motor começava a soiuçar, mas não pegava. Travfe o carro senhor doutor, senão ainda passa por cima de mim!
_No que me meti...
Mas era tudo fita..- O Fernandinho viu que o Dr. estava desesperado, pois estava em cima da hora para chegar a tempo ao cinema que era o "E tudo o vento levou..."
o que era) e ordenou mais uma vez:
-Agora SR. Dr. Vá... agora, diacho!!!
OR. Ramiro bufava e suava , mas lá deu mais uma vez á chave.
Milagre dos milagres... o velho e ronceiro Austin, deu dois estouros no cano de escape e zàs... começou a trabalhar que nem um reloginho...
O Fernadinho saíu debaixo do carro todo besuntado e enxurrascado como se tivesse estado a limpar uma chaminé .
- Bravo Fernandinho!
Você merece uma boa gorjeta, homem! Nem o Alberto da Cidra remediou o caso... É obra!
E deu-lhe "dez paus" que o Fernandinho pôs logo a render nas capelinhas que visitou entre o local da "operação" e a sua casa... Foi direitinho á Nazaré, depois pelo Feliz, Lina Pastilha e António do Sul. Chegou a casa consolado com o "Primeiro de Janeiro " e a chave inglesa debaixo do braço.
Tinha encontrado ali o filão que todas as quartas feiras "pingava", até o Dr.Ramiro , depois de consultar vários peritos de "motores",começar a desconfiar de tanta habilidade para a "mecânica" demonstrada tão tardiamente pelo Fernandinho, que consertava um motor que só avariava "religiosamente á Quarta - Feira...
Mas o Fernandinho também foi bruxo....!!!
Essa fica para a próxima.
Zé Feliz
Sim senhor. O Fernandinho que eu conheci tão bem! Ele movimentava-se pela minha casa como se fosse da família.
Deste senhor tinha muitas estórias para contar. Agora vou contar esta:

Antes de se mudar para o Teatro Clube, as confecções Cávado começou a funcionar numa casa que tinha as condições mínimas para funcionar como fábrica. Depois foi crescendo e o espaço começou a ser pequeno e sem condições, pois para aquelas cerca de vinte pessoas só havia uma casa de banho o que se tornava insuficiente para tanta gente. Um dia a sanita entupiu e foram recrutadas duas empregadas para lhe tratarem da higiéne. Pois nada! Ela entupiu mesmo e por toda a água que lhe metiam e tudo o que lhe faziam, ela não cedia. Era um problema que tinha que ser resolvido imediatamente e ninguém conseguia dar-lhe solução!
Foi então alguém se lembrou: o Fernandinho.
Lá o mandaram chamar e ele compareceu imediatamente e, imediatamente meteu mãos à obra:
Sem grandes preparativos, arregaçou a manga da camisa - que já tinha sido branca- e, no meio de todos aqueles compostos biodegradáveis enfiou a mão pelo cano abaixo da sanita e, segundos depois, a estava desentupida! Melhor! Sem lavar nem secar o braço nem as mãos, puxou a camisa para baixo e comentou: - então era este o grande problema?
Nós ficamos de boca aberta, pela facilidade com que ele resolveu ali um problema que parecia sem solução! Entretanto a Dª Helena mandou preparar-lhe uma sandes qualquer e um quartilho de vinho e, agora pasmem-se: ele comeu e bebeu sem lavar as mãos.
Algumas pessoas que lá trabalharam ainda se devem lembrar desta estória.
Zé Reis.
Olá Luis.Está tudo bem contigo? Um grande abraço.
Trouxeste á minha memória uma figura típica de Esposende e eu lembrei-me de uma "cena" que se passou comigo que passo a partilhar:
Quando iniciei a minha carreira profissional estiva uns meses na Repartição de Finanças de Esposende.Naquele tempo havia muita gente que não sabia assinar e para realizar alguns actos necessitavam de trazer duas testemunhas. Um dia apareceram como testemunhas o Fernandinho Matos e o Tininho Magalhães(fotógrafo). O Tininho tinha tido um "affaire" e estava ,penso eu, fora de casa...O Fernandinho Matos tinha casado com uma senhora com o apelido de "Minorca". Aquando da identificação eu perguntei ao Tininho se era casado ao que este respondeu: SEM MULHER! A mesma pergunta ao Fernandinho que respondeu: POR ACASO! Comentário do Sr Velasco que era um funcionário já com uma certa idade:
SÓ PODIA SER... UM CASADO E SEM MULHER E OUTRO CASADO...POR ACASO!
Essa está de morte. Já me ri até às lágrimas. Esse Fernandinho era o filho de Fernandinho das minhas histórias. Mas do filho também sei algumas que qualquer dia vou postar.

Um grande abraço
Luís

antónio vassalo abreu disse:
Olá Luis.Está tudo bem contigo? Um grande abraço.
Trouxeste á minha memória uma figura típica de Esposende e eu lembrei-me de uma "cena" que se passou comigo que passo a partilhar:
Quando iniciei a minha carreira profissional estiva uns meses na Repartição de Finanças de Esposende.Naquele tempo havia muita gente que não sabia assinar e para realizar alguns actos necessitavam de trazer duas testemunhas. Um dia apareceram como testemunhas o Fernandinho Matos e o Tininho Magalhães(fotógrafo). O Tininho tinha tido um "affaire" e estava ,penso eu, fora de casa...O Fernandinho Matos tinha casado com uma senhora com o apelido de "Minorca". Aquando da identificação eu perguntei ao Tininho se era casado ao que este respondeu: SEM MULHER! A mesma pergunta ao Fernandinho que respondeu: POR ACASO! Comentário do Sr Velasco que era um funcionário já com uma certa idade:
SÓ PODIA SER... UM CASADO E SEM MULHER E OUTRO CASADO...POR ACASO!

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