ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

Boa noite, esposendenses:
Sobre esta figura típica de Esposende, direi algumas coisas interessantes sobre a sua vida.
Como é sabido, "As sete moléstias "vivia num casebre, sem condições entre a antiga Escola Primária e o Ext. Infante Sagres. Tinha geralmente uma cabra, amarrada a um pau, com uma corda no campo envolvente à casa. Apanhava cartões de caixas e papel grosso que era armazenado em casa e, posteriormente, vendia. Certo dia, como a casa não tinha luz eléctrica, acendeu uns cartões para se aquecer e naquele momento o fogo pegou àquela papelada toda e a modesta casa ardeu toda.
Posteriormente, foi viver para a Casa das Vasconcelas, penso que havia algum parentesco, e aí, segundo me informaram, tinha outras condições. No quintal tinha muitos coelhos e galinhas e o que fazia as "Sete Moléstias"?

Apanhava o lixo, geralmente de noite, desfazia os sacos e aproveitava os restos de comida (escasssos nessa altura...) para dar de comer aos coelhos e galinhas.
Vendia os ovos e assim sobrevivia com o minimo de dignidade.
Esta mulher simples, andava sempre muito agasalhada, com muitos xailes e com um lenço preto a cobrir-lhe o cabelo e parte do rosto
porquê "Sete Moléstias? Porque , nessa altura,havia muitas doenças e ela a tudo resistia! As "moléstias" não se aproximavam dela....
Carlos Barros- "Em Memória..."

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"As sete moléstias":
Quando andava no Externato Infante Sagres,nos anos de 1965 /66 e posteriores, talvez até 1968, via sempre a cabra das "sete moléstias", a pastar nos terrenos verdejantes da sua casa, amarrada a um pau de madeira espetado na terra
Os jovens estudantes arreliavamos a "Sete Moléstias" chamando alto pelo seu nome e atirando paus ou pedras à cabra.
Eram irreverências da adolescência e da juventude!.
Chegavamos, os mais ousados, que não era o meu caso, a pegar na corda com a cabra segura e iamos dar uma volta pelo campo mas, porque a "Sete Moléstias" estava ausente, caso contrário, seria um problema e teriamos um "sarrafo" no lombo...
Esta personagem era uma pessoa triste e a alegria nem sempre era a sua vizinha!
Tive breves contactos com ela, ao longo dos anos, na mercearia /armazém do meu tio Abilio Curvão servindo-lhe batatas, arroz, carvão ou meio litrinho de vinho tinto. Não era pessoa de muitas palavras e mal chegava, ia logo a "sete pés...", isto na mercearia!
De momento, é este testemunho sucinto que tenho a dar sobre a "Sete Moléstias".
CMLB

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