ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

A cada dezembro jurei fazer do Natal uma experiência calma e pací­fica. Cortei obrigações não essenciais tais como escrever cartões demais, cozinhar por muito tempo, fazer muitas decorações, e até gastar demais. Ainda assim eu me encontrava exausta, sem ser capaz de apreciar os pre­ciosos momentos em família e, claro, o verdadeiro sentido do Natal.

O meu filho, Nicholas, estava no jardim de infáncia naquele ano, e era uma época excitante para ele. Por semanas, ele andava memorizando músi­cas para a peça de inverno de sua escola. Eu não tive coragem de lhe dizer que estaria trabalhando na noite da sua apresentação. Não querendo perder o seu momento de glória, falei com sua professora. Ela me assegurou que haveria um último ensaio, com as roupas do show, na manhã da apresenta­ção. Todos os pais que não pudessem comparecer na noite da apresentação, seriam bem-vindos. Felizmente, Nicholas pareceu satisfeito com isso.

Na manhã do ensaio, cheguei dez minutos mais cedo, encontrei um lugar no andar da cafeteria e me sentei. Vi vários outros pais ali na sala procurando silenciosamente um lugar onde se sentar. Enquanto aguar­dava, os alunos foram direcionados à sala. Cada turma, acompanhada pela professora, sentou-se de pernas cruzadas no chão. Então, um por um, cada grupo se levantou para apresentar sua música.

Como o sistema de ensino público nos EUA parou há muito tempo de se referir ao feriado como "Christmas," eu não esperava muito mais do que diversão, músicas comerciais sobre renas, Papai Noel, flocos de neve, e uma boas festas. Então, quando a turma do meu filho se levantou para cantar, "Christmas Love" (O Amor de Natal), fiquei um pouco surpresa com o título audacioso.

Nicholas brilhava, assim como todos os seus companheiros de turma, adornados com luvas felpudas e suéteres vermelhos, e chapéus de neve brilhantes na cabeça. Os que estavam na fileira da frente e no centro do palco, seguravam letras grandes que, uma por uma, soletravam o título da música. Quando a turma cantava "C é para Christmas (Natal)," uma criança levantava a letra C. Depois, "H é para Happy (Feliz)," e por aí em diante, até cada criança ter apresentado a mensagem completa, "Christ­mas Love" (O Amor de Natal).

A apresentação estava fluindo tranquilamente, até que, de repente, notamos uma menina pequena e quieta na fileira da frente segurando sua letra "M" de cabeça para baixo, totalmente desapercebida que o seu "M" parecia um "W."

Os alunos da 1ª à 6ª série riram-se do erro da pequena, mas ela não fazia idéia que as pessoas estavam rindo dela, então se levantou toda orgulhosa, segurando o seu "W." Apesar das professoras terem ten­tado calar as crianças, as risadas continuaram até a última letra ser levantada, e todos as vimos juntos.

O público ficou quieto, e todos os olhos se arregalaram. Naquele ins­tante, entendemos a razão porque estávamos lá, e porque celebramos esse feriado para começar. Era como se mesmo em meio ao caos, existisse um propósito em nossas festividades. Pois quando a última letra foi erguida bem alta, a mensa­gem podia ser lida bem claramente.

"C H R I S T W A S L O V E" (CRISTO ERA AMOR).

E Ele ainda é. Fiquei maravi­lhada com a presença de Jesus, e humilhada diante do Seu amor.

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Respostas a este tópico

Maria José.
Ainda crianças, de 12 e 09 anos, deixamos Esposende em direção ao Brasil, eu para o Rio de Janeiro e a Minda para São Paulo. Isto em 1959 e 1961, respectivamente.
Vou falar das minhas lembranças de Natal: missa do galo, que sacrifício para uma criança; luta contra o sono para surpreender o Pai Natal a colocar os presentes nos sapatos; expectativa de se o Pai Natal ia deixar apenas umas nozes, figos, castanhas e outros produtos típicos natalinos ou deixar alguma prenda que eu havia pedido em cartinha a ele dirigida. Mas, acima de tudo, aquele astral próprio da aproximação dos dias de Natal: família reunida, esperança da presença do pai, marinheiro mercante pelo mundo a buscar ganhos para uma vida melhor, uma saudade enorme numa ocasião como essa.
Era assim, nesses tempos de inocência santa e de grandes dificuldades econômicas; um natal de família humilde, mas cheia de sonhos e plena de auto-estima, que nos levou a buscar a Terra Prometida tão longe da nossa e dos nossos embora aproximando-nos de outros dos nossos, também.
Hoje, veja a ironia, temos os meios e falta-nos aquele espírito que, verdadeiramente, faz a diferença.
Mais uma vez nosso desejo de que vivas um Natal de Paz e Amor.
Antonio Jorge

Maria Jose Diaz Garcia disse:
Queridos Minda & Anjo, voçês nasceram em Esposende. Como era o vosso Natal de crianças? A igreja fazia alguma cerimónia? Na minha terra era assim...os reis vinham da montanha cheia de luzes de tochas. Era algo muito especial para nós, crianças...lembro esse acontecimento com carinho. E vocês? Que tinha de especial vosso Natal?
Minda & Anjo, da para perceber que tinhas o mais importante em Natal, carinho e saudade da tua amorosa familia e expectativa de algo melhor por vir. Lindo! Sera que os que nos rodeam podem ter esse presente? Recentemente ardierom umas barracas de pescadores em Apulia. Umas 10 familias perderom redes e demas artigos necessarios para pescar. Salvarom as barcas. Agora lanço um desafio para todos: Sera que podemos ayudar a essas familias a recobrar forças de alguma forma neste Natal? Sugestoês?
Estimada e respeitável amiga:
Comungo perfeitamente e profundamente os seus ideais de Natal.
Nesta época de consumismo, a Natal materializa-se, em detrimento dos valores e princípios mais elementares do ser humano.
Neste Natal, penso que todos nós invocaremos a sua opção de vida e de Natal, com a essência da sua espíritualidade, em respeito plenos das convicções dos Homens.
Um abraço do seu e meu Natal.
Carlos Barros
Estimado Carlos, Obrigado pelas palavras de animo e apoio. Gosto de compartilhar com pessoas capaces de entender e abertas ao novo, ao innovador. Ironicamente, Hoje e innovador cultivar nossa espiritualidade, alem de denominaçoes, creenças ou outros pontos de apoio. Mais acredito que muitos queremos mais de algo mais puro, menos sofisticado, mais simple e basico. A vida e muito bonita, com todos sus desafios. E estamos em boa companhia na caminhata.

O Natal e época de dar...

Natal é sinónimo de dar, e o nosso melhor exemplo é Jesus.
Alguém que atualmente compreendeu o Seu espírito de dar é Madre Teresa de Calcutá. Trabalhando entre os pobres na índia, ela tem inspirado milhões de pessoas com o seu amor altruísta.

"Eu vejo Jesus em cada ser humano", disse ela recentemente. "Eu digo a mim mesma, aqui está Jesus faminto, devo alimentá_lo. Aqui está Jesus doente. Este aqui tem lepra ou gangrena; devo lavá-lo e cuidar dele. Eu sirvo porque amo Jesus."

Só alguém que conhece o Amor de Cristo e o retribui transmitindo_o aos outros pode compreender ao que Madre Teresa se refere. Fred Bauer

O Natal e época de perdoar...

Há uns anos havia uma canção muito popular, Tie a Yellow Ribbon Round the Old Oak Tree. (Amarre uma fita amarela em redor do velho carvalho).
Uma antiga história de Natal que já existia antes desta canção, nos conta algo parecido.

No conto, um jovem que havia fugido de casa volta de trem na noite de Natal. Ele já tinha escrito aos seus pais dizendo_lhes que queria voltar, mas não tinha certeza se seria bem_vindo. Como o trem passava bem na frente de sua casa, pediu ao pai para amarrar um pano vermelho no grande carvalho que havia na fazenda casa como sinal.

Ainda a uns quilómetros de distáncia, ele fala da sua ansiedade a um senhor idoso sentado ao seu lado. Este diz que tem certeza que ele será tão bem_vindo quanto um outro jovem que fugira de casa há muito tempo, e lhe contou a parábola de Jesus sobre o filho pródigo. (Bíblia, Lucas 15:11_32.)

Como não podia deixar de ser, quando o trem passou pela sua casa, viram o pano vermelho que o pai amarrara. Mas em vez de só um pano, havia dezenas de panos vermelhos tremulando ao vento, um em cada galho imaginável, bradando as boas novas ao rapaz que tinha fugido; que tudo tinha sido perdoado no Natal.

Que Deus nos ajude a fazer deste Natal um tempo para perdoar e esquecer as mágoas passadas!
Alguns dos meus anos mais impressionáveis foram passados na America. Ainda me lembro da enorme árvore de Natal em Fountain Square, das decorações cintilantes, do som de canções de Natal pelas ruas. Na rua East Liberty, onde morávamos, a minha mãe sempre decorava a árvore com velas de verdade, velas mágicas que, combinadas com o pinheiro, exalavam um perfume silvestre, incomparável e inesquecível.
Uma véspera de Natal, quando eu tinha 12 anos, saí para fazer compras atrasadas com meu pai. Eu carregava embrulhos e mais embrulhos e estava cansado e mal-humurado, pensando como seria bom quando chegasse em casa. Nisto, um mendigo dirigiu-se a mim — um velho sujo, de olhos ramelosos e a barba por fazer — tocou no meu braço com a mão, que mais parecia uma pata, e pediu dinheiro. Era tão repulsivo que eu, instintivamente, recuei.
Baixinho, meu pai disse:
— Paulo, é véspera de Natal. Você não deveria tratar ninguém assim.
Sem me arrepender, contestei:
— Pai, ele é só um mendigo.
Meu pai parou.
— Talvez ele não tenha feito muito de si mesmo, mas ainda é um filho de Deus.
Dando-me um dólar, muito dinheiro naqueles tempos e considerando que o salário do pai não era muito, acrescentou:
— Quero que pegue este dinheiro e dê àquele homem. Fale com ele com respeito. Diga-lhe que está lhe dando em nome de Cristo.
— Pai! Não posso fazer uma coisa dessas!
— Vá fazer o que eu lhe digo — respondeu ele com firmeza.
Relutantemente e resistindo, corri atrás do homem e disse:
— Com licença. Dou este dinheiro ao senhor em nome de Cristo.
Ele olhou para a nota , depois para mim, espantado. Seu rosto se abriu num sorriso maravilhoso, um sorriso tão cheio de vida que esqueci que ele era sujo e tinha a barba por fazer. Esqueci que ele era maltrapilho e velho. Com um gesto, quase de cortesia, tirou o chapéu e disse educadamente:
— E eu lhe agradeço, meu jovem, em nome de Cristo.
Toda a irritação que eu sentia, tudo o que me incomodava, sumiu. A rua, as casas, tudo à minha volta de repente ficou lindo, porque eu participei de um milagre que vi muitas vezes desde então: a transformação de uma pessoa quando pensamos nela como filha de Deus, quando lhe oferecemos amor em nome de um Menino nascido há dois mil anos num estábulo em Belém, uma Pessoa que ainda vive e anda conosco e que demonstra a Sua presença.
Esta foi a minha descoberta de Natal nesse ano: o ouro da dignidade humana, oculto em cada alma vivente, esperando para brilhar, se somente lhe dermos uma chance.
O Natal:
O Natal, depois de se ter dito tudo, de mais belo , sobre esta época muito significativa , para nós, Católicos e Cristãos, nestas páginas, especialmente o que disse a Maria José Garcia, apenas direi que o Natal é a FAMILIA em paz, harmonia, em solidariedade para com os outros que pouco ou nada têm e é, acima de tudo, respirar o espírito do Nascimento do Menino Jesus.
O Natal está dentro dos corações dos HOMENS bons...
Bj
CMLB
Inspirado, hein, amigão?
FELIZ ANO NOVO .
Antonio Jorge

Carlos Manuel de Lima Barros disse:
O Natal:
O Natal, depois de se ter dito tudo, de mais belo , sobre esta época muito significativa , para nós, Católicos e Cristãos, nestas páginas, especialmente o que disse a Maria José Garcia, apenas direi que o Natal é a FAMILIA em paz, harmonia, em solidariedade para com os outros que pouco ou nada têm e é, acima de tudo, respirar o espírito do Nascimento do Menino Jesus.
O Natal está dentro dos corações dos HOMENS bons...
Bj
CMLB
Aprecio e comungo sua forma de perceber o raiar do Ano Novo mas, preso ao interêsse coletivo dos familiares, não pude fazê-lo dessa mesma forma. Outros dias virão!
Que em 2010 a realidade venha a estar mais perto dos teus planos e, principalmente, que possas, Maria José, vir a rever tua filha, em bem menos tempo que uma temporada.
FELIZ 2010.
Maria Arminda & Antonio Jorge

maria jose Diaz Garcia disse:
No primeiro dia de cada Ano Novo, acordo por volta das 5h da manhã para assistir ao nascer do sol. Escolho um local com uma boa vista, a praia de Apulia, o campo. Este ano, escolhi a praia.
Ao me sentar, penso sobre tudo o que me ocorreu no ano que passou — e foi muita coisa. O meu filho Andy e Natalia tiveram o seu segundo rapaz. Fiz novos amigos nos novos projectos que estou trabalhando. Fiz um viagem a Tenerife com os filhos, despues de muitos anos a visitar a familia. Todas são lembranças maravilho¬sas. Agradeço a Deus por cada uma e depois as guardo, pronto para me lembrar delas quando precisar de um estímulo.
É claro que também tenho outras lembranças não tão felizes: períodos com má saúde, discussões com amigos, a filha que se mudara para longe e que provavelmente não voltarei a ver em uma temporada, e expectativas que não se tornaram realidade. Agradeço a Deus por essas experiências tam¬bém, porque apesar delas não serem tão agradáveis, Ele prometeu que "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus." (Romanos 8:28), e sei que esses eventos foram bons para mim porque aprendi com eles, e mais coisas boas ainda advirão deles. Despeço-me deles, já que não têm mais utilidade. Eles cumpriram o seu pro¬pósito em minha vida, então abro mão deles.
Conforme o sol começa a nascer, despeço-me pela última vez do ano velho, e dou boas vindas ao Ano Novo com uma pequena oração ao meu Pai celestial. Peço-Lhe direcionamento e sabedoria para fazer as es¬colhas certas neste ano por vir. Peço-lhe força e coragem para perseverar nos tempos difíceis, que são inevitáveis. Peço-Lhe amor e a habilidade de demonstrar o Seu amor às pessoas próximas a mim, bem como às novas pessoas que vier a conhecer. E o mais importante, peço-Lhe para me ajudar a fazer sempre a Sua vontade. Está escrito no livro dos Salmos, "Os passos do homem bom são confirmados pelo Senhor, e Ele Se deleita no seu caminho." (Salmo 37:23)
Sei que se começar o ano com o "pé direito", ele transcorrerá bem mais tranquilamente e terei menos problemas do que se entrar nele de qualquer maneira logo depois da tão ocupada época de Natal e celebra¬ções de Ano Novo. Passar um tempinho quieto é uma maneira maravilhosa de começar o ano novo. Não requer muito tempo. Eu só procuro um lu¬gar calmo, agradeço a Deus pelo ano que passou, e dedico o próximo a Ele.
O ano velho já passou e o ano novo está às portas. Podemos entrar nele de maneira positiva, sabendo que com a ajuda, sabedoria e o amor de Deus, podemos fa¬zer uma diferença neste mundo. Boas entradas Antonio Jorge, Carlos e queridos amigos!
Mª José:Natal é todos os dias.
Mas o dia de Natal é sempre NATAL,
um Natal especial.
Um abraço
CMLB

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