ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

Gostava de criar nesta Ribeira um espaço onde pudessem ficar arquivados os nossos escritos mais sérios, sobre assuntos importantes, complexos, pertinentes e interessantes, escritos esses que já abundam aqui na rede, dispersos, tendo os respectivos autores exposto neles o seu pensamento, comentado a seguir por quem quis pronunciar-se a respeito.

Estou a lembrar-me, por exemplo, do tema TOURADAS, apresentado pelo António Jorge, da questão do HIPNOTISMO, levantada pelo Zé Meiras, do SE EU GOVERNASSE, também da autoria do Zé Meiras, das deambulações políticas do Lino Rei, de diversas trocas de opinião sobre a CRISE actual (recordo as da Guidinha, as do Luís, as do Zé Alexandre, as do Teófilo) para citar apenas alguns casos. Toda essa preciosa colaboração anda perdida em páginas diversas desta rede, e não é fácil localizar um exemplar avulso, se dele necessitarmos.

No espaço FILOSOFANDO, "POLITICANDO", REFLECTINDO... (quando o acordo ortográfico for obrigatório, reflectiremos sem C), poderiam então ficar guardados os ditos textos de opinião, os de assunto sério, tornando-se deste modo muito fácil consultar qualquer um deles, pois o procuraríamos apenas no seu lugar próprio.

Faço um apelo aos companheiros todos desta Ribeira, sem excepção _ os nossos empresários,  os nossos emigrantes, os nossos médicos, os nossos trabalhadores por conta própria ou de outrem, os nossos artistas, os nossos advogados, os nossos desempregados, os nossos reformados, os nossos professores, as nossas donas-de-casa, os nossos estudantes, os nossos jovens _ para que deixem aqui a expressão do seu pensamento sobre assuntos importantes do nosso dia-a-dia, do mundo em que vivemos, da humanidade próxima ou distante, enfim, da nossa vida. Escrevamos todos, sem pretensões, com simplicidade, ao correr da pena, sabendo que estamos a dialogar em família e sabendo também que, para este desafio, não há sábios nem ignorantes, mas apenas GENTE QUE PENSA.

Quem sabe se um dia poderemos fazer uma compilação de todos esses contributos e...publicar um belo livro, que mostre a quem vier depois de nós uma respeitável RIBEIRA PENSANTE?

Senhor Administrador, aguardo especialmente a sua resposta sobre este assunto _ a criação do espaço FILOSOFANDO, "POLITICANDO", REFLECTINDO... Se não for considerada oportuna e proveitosa para a nossa rede, com toda a simplicidade retirarei a proposta.

Desejando sempre um rumo luminoso para OS ESPOSENDENSES NA RIBEIRA OU NO MUNDO, deixo a todos um grande abraço.

NOTA: Ponho a hipótese de continuarmos a postar, cada um no seu blog, os textos sérios que produzirmos, mas tendo o cuidado de também os arquivarmos neste novo espaço.

Braga, 30 de março de 2011

Luisinha Lamela

Exibições: 921

Responder esta

Respostas a este tópico

«...ser utópico é a maneira mais consistente de ser realista no início do século XXI».

Interessante este ponto de vista. Há aqui, da parte de B S Santos, autor que me habituei a respeitar e a admirar, uma espécie de viragem de pensamento, inesperada e lógica.

Vejamos: o autor diz, umas linhas atrás, que as propostas por ele apresentadas poderão ser consideradas «utópicas ou eivadas de romantismo».

A seguir, para que se não estigmatize a utopia, aconselha cautela, já que essas propostas «são susceptíveis de aplicações parciais», mercê de «medidas de transição».

Depois, numa máxima categórica e incontestável, diz «uma ideia inovadora é sempre utópica antes de se transformar em realidade».

Quem sou eu, junto de um notável pensador como B S Santos, para me atrever a dizer das vezes todas que já repeti,  junto de gente céptica e "auto-flagelada", esta mesma máxima, ipsis verbis? Eternamente lírica e sonhadora, repito isto também a mim própria, certa de que todas as superiores maravilhas conseguidas pelo homem começaram por ser apenas sonhos.

Mas vamos à dita viragem de pensamento: se o texto terminasse naquela máxima, teríamos uma espécie de apologia da utopia, pelo que contém de potencialidades. Seria assim como quem diz, com Sebastião da Gama «pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos»; ou com António Gedeão «eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida....». Nesta linha de pensamento, é a utopia vista como impulso, como origem de boas, positivas realizações, supostas impossíveis antes que alguém as tornasse possíveis (recorrendo certamente às tais «medidas de transição», de que B S S fala).

No parágrafo seguinte e último, o inesperado remate: «...porque muitos dos nossos sonhos foram reduzidos ao que existe e o que existe é muitas vezes um pesadelo, ser utópico é a maneira mais consistente de ser realista no início do século XXI». Espectacular ginástica mental, pelo completo esvaziamento do lirismo e do romantismo!

Em termos de síntese do conteúdo do texto, ela encontra-se na frase transcrita que o encima: «A CONSCIÊNCIA DAS DIFICULDADES IMPEDE O FACILITISMO, A CONSCIÊNCIA DAS ALTERNATIVAS IMPEDE A AUTOFLAGELAÇÃO». É como quem diz "há que ter cuidado, há que estar atento, há que fazer muito esforço, as coisas estão difíceis, isto não está p'ra brincadeiras, não se deitem à sombra da bananeira, mas...há saídas, há hipóteses, há alternativas, nem tudo está perdido, vamos conseguir". Daí as propostas que constituem o miolo do texto, de resto dignas de atenção e reflexão.

Para terminar, as palavras de alguém que partiu de uma utopia e a tornou realidade: YES, WE CAN!



O assunto é

Feriados que vão deixar de o ser...

Gostava de saber a vossa opinião, caríssimos companheiros, acerca da escolha dos feriados não religiosos a suprimir do calendário, escolha que recaiu sobre o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro, conforme se ouviu ontem na televisão e os jornais confirmaram.

A mim parece-me uma escolha de todo desastrada, direi mesmo chocante. Penso assim há algum tempo, desde que se ventilou a hipótese de serem essas as datas visadas, mas fui alimentando a convicção de que tal hipótese não vingaria, de tão insensata que é.

Verifiquei hoje, após leitura dos jornais, que esta minha indignação é partilhada por muita gente. O repúdio manifestado por muitos prende-se com aquilo que se considera uma lamentável falta de respeito pela nossa História, na qual dois factos _ a Restauração da Independência de Portugal, ao fim de 60 anos de governo castelhano, e a Implantação da República _ ocupam patamar supremo em termos de significado e de consequências na vida de um país, devendo continuar a ser enaltecidos de acordo com a sua importância.

Na sua crónica diária no Jornal de Notícias, o Dr. Manuel António Pina diz mais ou menos isto: já nos tiraram tanta coisa que só faltava tirarem-nos o nosso glorioso passado (o título da crónica é aproximadamente este). Tiraram-no-lo agora, para nosso descontentamento e indignação.

Choca-me particularmente o 1º de Dezembro, porque a recuperação da nossa soberania me parece, de todos os factos assinalados com feriados, a mais decisiva. Só num país independente podem depois ser implementados sistemas governativos _ monarquia, república, democracia _ e essa independência foi de novo nossa no dia 1 de Dezembro de 1640!

Vamos mesmo deixar de ter este feriado?!!!

Brada aos céus!

Que pensais disto, amigos? Gostava de saber a vossa opinião, incluindo a dos amigos "brasileiros", que não partilham dos nossos feriados, mas partilham da nossa História, que é só uma.

Deixo um abraço.

Luisinha

1.º - Parece-me um disparate apagar feriados. Até as pontes!

Em Potugal sempre se trabalhou... e muito. Nunca o português fugiu às suas obrigações, sendo mesmo um povo que se excede no trabalho.

O que é preciso é melhorar o trabalho. Ou seja, qualificar as estruturas (das empresas, das entidades, etc.). Vê-se que o português, em qualquer lado, é o melhor trabalhador. Porquê? Porque integra organizações bem estruturadas. É de organização que o português precisa para que o seu trabalho renda proporcionalmente ao seu esforço e dedicação.

 

2.º - Parecem-me intocáveis o 10 de Junho e o 1.º de Dezembro. O 1.º de Maio é universal.

O 5 de Outubro sofre de alguma relatividade. Ainda não sabemos bem o que ganhámos com o fim da monarquia. [nunca fui monárquico!] Talvez as melhores democracias se encerrem em regimes monárquicos. [Cada vez acho o assunto mais discutível]

De todos os feriados, parece-me o 25 de Abril, aquele que nos é tão querido, o mais suscetível de cair. Afinal de contas, vendo bem o "peso" que tem na história da nação, talvez seja o de menor significado. Paradoxalmente, é aquele em que os políticos não se atrevem a referir. Não sei até que ponto a reação seria assim tão assustadora, mas enfim... Parece-me apenas falta de coragem. Talvez essa coragem seja apenas digna de um rei.

Estou de acordo com todo o ponto 1 da argumentação do Zé Alexandre e quase com todo o ponto 2.

De facto, ao lançar esta discussão, esqueci-me de a começar como deveria: discordo em absoluto da abolição dos feriados. Os motivos são exactamente os que o ZA apresenta.

Quanto à menor importância do 25 de Abril comparativamente com o 5 de Outubro, aí é que tenho dúvidas e não sei mesmo para que lado cair. O facto de a primeira data ser mais recente e dizer respeito a um facto que nós presenciámos e acompanhámos, faz dela quase sagrada, se atentarmos naforça do sentimento com que o dia propriamente dito foi vivido, e nas mudanças, p'ra bem e p'ra mal, que se lhe seguiram.

Enfim, voltando à posição inicial, acabar com os feriados é que não deveria ter acontecido. Trabalhadores como são, os Portugueses merecem-nos todos.

Penso que, do ponto de vista histórico, o dia em que acontece o fim da monarquia e a implantação da república tem uma importância enorme quando comparada com a mudança de regime. Ainda mais porque esta mudança de regime foi brusca, mas poderia ter sido apenas uma transição (como aconteceu em Espanha), visto que a ditadura se encontrava caduca. Adivinhava-se o seu fim e a transição iria ser um processo natural.

 

Começa a preocupar-me é o fim do feriado religioso de 15 de Agosto. O que vai ser da Senhora da Saúde?

Amigos ribeirenses, proponho-me reanimar a secção aqui criada FILOSOFANDO, REFLECTINDO, POLITICANDO, para o que apresento a todos um tema de conversa bastante oportuno nesta véspera da Revolução de Abril: OS RETORNADOS.

Como sabemos, foram assim designados aqueles que, encontrando-se nas ex-colónias portuguesas aquando da dita revolução, regressaram ao continente com o processo de descolonização subsequente.

Pois bem, amigos, tentando também revitalizar esta Ribeira, que tem andado um bocadinho choca nos últimos tempos, peço testemunhos e relatos de casos relacionados com o regresso de gente portuguesa _ RETORNADOS _ marcados uns por algum tipo de sofrimento e drama, recheados outros de boa dose de oportunismo, outros ainda encaminhados para remates de sucesso ou de fracasso, pois de tudo isto houve inúmeros exemplos.

Contai aqui histórias de RETORNADOS, conhecidas directamente ou por relatos de alguém, e daremos assim o nosso contributo à celebração do DIA DA LIBERDADE, 25 de Abril.

Espero que não me deixem a falar sozinha, pois Esposende não é terra de gente que se encolhe…

Grande abraço.

Luisinha

Com todo o meu apoio, Luisinha. Vai-se criando um "repositório". Parece-me bem, embora também ache graça ao facto de essas reflexões rechearem os espaços do passado. São, de algum modo, o nosso substrato coletivo.

Bom, para que não fique a falar sozinha, Luisinha, retornei!

Antes de se falar de histórias de retornados, não posso deixar de fazer referência ao paradoxo que foi a simultaneidade de dois processos, sendo um, talvez, o motivo de maior vergonha nacional e, um outro, sem dúvida ilustrativo de uma das maiores razões de orgulho deste povo à beira mar espalhado: a descolonização e a "absorção" dos retornados.

Zé Alexandre, bem haja por ter dado seguimento ao meu desafio. Agradeço-lhe ainda a delicadeza de ter RETORNADO ao assunto, para não me deixar a falar sozinha.

Relativamente à questão que o Z A apresenta, creio que a primeira marca que se pode associar ao processo de descolonização é a da precipitação, com tudo o que ela acarreta de insuficiências, deficiências e nefastas consequências. Sendo inevitável que esse processo viria na sequência da Revolução de Abril e da queda da Ditadura, verificou-se contudo demasiada ânsia na consecução desse objectivo. Tratava-se _ ninguém o nega _ de uma das mais sangrentas feridas do regime anterior, uma das mais dolorosas e pungentes, talvez a mais odiosas de todas as práticas do Salazarismo, ao comportar uma guerra que tantos jovens portugueses mutilou ou vitimou mortalmente. Daí que a bandeira da libertação das colónias e do povo colonizado, pondo fim à terrível guerra, fosse ansiosamente desejada.

Mas já estou a desviar-me do nosso tema _ RETORNADOS. Se bem me lembro, instalaram-se no hotel Nélia (e não sei se também no hotel Ofir) muitos destes Portugueses, e tenho uma vaga ideia de ouvir dizer que não se comportaram lá muito bem. Lembra-se disso, mesmo sendo o Z A ainda tão menino nessa altura?

Era sobre isto que eu gostava que os nossos companheiros do blog se pronunciassem, pois há-de haver quem tenha memórias alusivas, ou conheça casos particulares de RETORNADOS, alguns sofredores e injustiçados, outros, oportunistas e  aproveitadores da situação, outros ainda lutadores esforçados, bem sucedidos uns, nem tanto assim outros.

Vamos ver se alguém continua esta conversa.

 

Um reparo: penso que foi no Hotel Nélia e no Hotel do Pinhal.

.....O 1º DE DEZEMBRO

……Desde que me conheço, e desde que se conhecem muitos Portugueses de muitas gerações anteriores e posteriores à minha, o 1º de Dezembro era dia feriado.

……Deixou recentemente de ser.

……Na minha modesta opinião, a decisão de suprimir este feriado corresponde a um erro daqueles muito grandes, daqueles mesmo de lesa-pátria.

……Não, não é saudosismo do tempo da outra senhora, nem de quaisquer outras senhoras, nem de Mocidades Portuguesas, nem de impérios coloniais, nem de coisa nenhuma semelhante; é, isso sim, a minha discordância absoluta da distinção concedida a outras datas, nomeadamente o 10 de Junho, em detrimento da data em que se comemora a recuperação da independência de Portugal, governado, durante 60 anos, por três reis espanhóis. Filipe I, Filipe II, Filipe III _ os indesejados.

……Um punhado de 40 corajosos correu com eles. Foi isto que todos aprendemos na escola primária, não foi, amigos (li um artigo do Vasco Pulido Valente, no qual diz que não foi nada assim!…)?

……Que o 25 de Abril, que restituiu a democracia ao povo português, dominado por uma ditadura de quase meio século, seja justamente assinalado como feriado nacional, parece-me bem; mas o 1º de Dezembro não restituiu ao povo português a democracia, restituiu uma pátria independente, uma pátria portuguesa.

……Vinha há tempos nos jornais notícia de que a decisão desta supressão estará à experiência durante cinco anos, devendo, após esse período, ser ponderada a sua continuidade ou revogação. Cá para mim, voltaremos a contar com este feriado.

……Sem medo de levar com adjectivos menos simpáticos, sugiro que alguém partilhe connosco a letra do HINO DA RESTAURAÇÃO. Sei-a de cor, aprendida na escola primária de Esposende, provavelmente sob a orientação da Profª. D. Isolina, que nos ensaiava esse reportório todo aos sábados de manhã. Ainda vos lembrais disso?

Venham daí essas opiniões.

1º de Dezembro _ Sim ou não ao feriado?

Filosofando, "Politicando", Refletido...

Ora aqui está um espaço que me deixou saudades! Reflexões sobre os mais variados temas, que podem ser uma porta aberta para assuntos que desconhecemos e que podem ser enriquecedores. Porque a minha cabeça já não é o que era, não me lembro bem de como decorreu esta panóplia de temas. Gostava de consultar os meus amigos acerca da possibilidade de reavivarmos este espaço ou criarmos outro com caraterísticas parecidas. Vá lá, quem tiver ideias que as mande cá para fora. O Socairinho tem que ser alternativa ao FB e isso só será possível se tivermos o engenho para criarmos coisas novas com interesse. Vá lá Luisinha vá lá ZA, vá lá amigos, todos temos uma palavra a dizer. Vejo a coisa muito parada e assim não pode ser. Comecemos por aqui mesmo, dando achegas a possiveis assuntos de interesse, vá lá.

Responder à discussão

RSS

© 2020   Criado por José Alexandre Areia L Basto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço