ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

         Tarde fria e húmida essa tarde de Dezembro.

Mesmo com frio fui para casa do meu amigo Bruno,                                              

colega de escola e de carteira.

Esperava com ele a chegada de seu pai, emigrante em

França, que deveria chegar nessa tarde a Portugal,

para passar com a família, essa noite de Natal.

No entanto, trazida por um amigo, Bruno ouviu a triste

notícia de que seu pai talvez não pudesse vir a Portugal,,

pois nos últimos dias andava adoentado e a vida não lhe

tinha corrido muito bem.

Nem eu, nem Bruno, nem toda a família de olhos chorosos

e incrédulos queríamos acreditar numa tão triste notícia.

Eu tentei consolar o meu amigo Bruno mas nada o fazia

enxugar as lágrimas. Lá se foi a esperança, a alegria, os

brinquedos e a felicidade.

Eu então, desolado, tive uma ideia: fui a casa a correr e

trouxe de lá o meu lindo comboio que juntos tínhamos

construído, aproveitando latas de bebidas, arame fino e

tubos de papelão todos pintadinhos a parecer a chaminé.

Trouxe ainda o meu automóvel feito com pequenas latas

de laca que a minha mãe ia deitando fora.

Aproveitamos as caricas que arranjamos e o automóvel,

pintado  com restos da tinta que  o meu pai  usara para

pintar o nosso galinheiro, até parecia um carro de colecção.

Mas o brinquedo que mais encantava o Bruno era a bola.

Feita de  papelão que os chineses das lojas deitavam  ao

lixo e amassado com cola, a bola era um encanto! Até tinha 

colado o emblema do Benfica.

Quis oferecer todos estes brinquedos ao Bruno, mas ele não

aceitou dizendo para eu ficar com eles.

Vim para casa triste e cabisbaixo e da minha janela olhava o

céu carregado de nuvens.

De repente, limpando bem o vidro da janela cheia de orvalho,

vi  um  homem de  mala na mão, entrando em casa do  meu

amigo. Pelos risos, gritos de alegria e entusiasmo, percebi

que  era  o pai do Bruno  que havia chegado. O meu coração

saltou de alegria ao sentir que o meu amigo agora sim, estava

feliz.

Mesmo sendo eu apenas uma criança, senti que se dera  um

milagre de Natal.

Ouvi a voz da minha mãe chamando-me para jantar.

E nunca uma ceia de Natal, junto da minha família me soube

tão bem!

Feliz Natal para ti, meu querido amigo e se possível, para todas

as crianças do mundo.

                                         21 de Dezembro de 2013

                                                  Toni Losa

 

                           

                              

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Respostas a este tópico

Olá, Toni.

Quero só dizer que gostei da sua história de Natal e que agradeço a partilha connosco.

Agora que somos amigos, aproveito para sugerir que escreva mais e poste aqui os seus escritos. Vou ficar à espera.

Deixo-lhe um beijinho.

Olá, Toni. 

Esta história está muito bonita e revela aqui o verdadeiro espírito de Natal e de solidariedade para com os amigos. 

Beijinhos e votos de um Feliz Natal.

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