ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

18 de Junho de 2010 _ data da morte do nosso Nobel da Literatura, José Saramago.

Hoje, um ano depois, foram depositadas em Lisboa, no Campo das Cebolas, as cinzas do escritor, junto de uma velha oliveira que o viu crescer.

Saramago vai ser alvo, nos próximos dias, de várias homenagens, que honrarão devidamente, com o brilho que merece, a sua memória.

Uma vez mais é justo salientar quanto a comunidade brasileira acarinha este escritor, mostrando assim a sua louvável capacidade de se alhear de preconceitos, que nada têm a ver com a categoria dos génios criadores e das suas obras. Diga-se a propósito que recebi do Fernando Rites, chegada desse Brasil que gosta de Saramago, a incumbência de lembrar aqui este 1º aniversário de tão grande perda.

Nós, aqui na Ribeira, podemos também homenagear o nosso Nobel. Como fizemos com Fernando Pessoa, tão dignamente lembrado na nossa rede ainda há poucos dias, aquando do 123º aniversário do seu nascimento.

Então, caros amigos, deixo o desafio: quem terá a amabilidade de postar o que entender como oportuno sobre José Saramago? Textos, pensamentos, referências biográficas, opiniões, o que quiser.

Conto convosco. A causa é nobre.

A todos deixo um abraço.

Braga, 18 de Junho de 2011

Luisinha 

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Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 24 junho 2011 às 16:08

Na ressaca da noitada de S. João, digestão feita das sardinhas e dos pimentos, feriado na cidade, uma estiagem de amolecer a gente, há que ficar por casa, posta em sossego numa média luz de percianas descidas,  para uma tarde gostosamente preguiçosa.

Neste higiénico cenário, vim até à Ribeira, fora das horas habituais, espreitar as novidades.

Uma vez mais, entre outras presenças, o Fernando Rites, que volta à carga com novas postagens sobre Saramago.

Eu bem digo que estes nossos "brasileiros" são mesmo amantes militantes da boa Literatura do seu país do coraçao e do sangue (acho que o nosso António Jorge não andou pela Ribeira no dia do 1º aniversário da morte do escritor, pois sei que também muito o admira e teria certamente algo a dizer a respeito).

Sabe uma coisa, Fernando? Nunca fui capaz de interpretar bem este parágrafo dos Cadernos. Além da sobejamente conhecida "simpatia..." de Saramago por Lobo Antunes, que dizer dos duas linhas do último período? Venha daí mais uma dica e o diálogo continua...

Vou a seguir até à «leitura da Mensagem entre pessoanos», novamente para falar consigo, caro Fernando, grande parceiro nestas conversas literárias.

Até já...

Comentário de Fernando Rites em 24 junho 2011 às 4:03

Folheando os “CADERNOS DE LANZAROTE” vejo o escritor que revela o homem por trás da obra. O Nobel viria em 1998.

José Saramago escreve no dia 21 de Setembro (páginas 373/374):

“Regressado à Bahia, escreve-me Jorge Amado a pedir que o represente no Parlamento Internacional de Escritores, no caso de haver conclusões, o que é pouco provável: esperemos, sim, que venham a tomar-se em acções. De caminho, diz-me que recebeu de Nova Iorque a informação(categórica) de que o Nobel deste ano será para Lobo Antunes. A fonte da revelação, colhida não se sabe onde, é um jornalista brasileiro que, pelos vistos, bebe do fino. Já sabemos que em Estocolmo tudo pode acontecer, como demonstra a história do prêmio desde que ganhou Sully Prud’homme estando vivos Tolstoi e Zola. Bom amigo, Jorge insiste que o seu favorito é outro. Não falta muito para sabermos. Quanto a mim, de Lobo Antunes, só posso dizer isto: é verdade que não o aprecio como escritor, mas o pior de tudo é não poder respeitá-lo como pessoa. Como não há mal que um bem não traga, ficarei eu, se se confirmar o vaticínio do jornalista, com o alívio de não ter de pensar mais no Nobel até ao fim da vida.” 1994

Comentário de maria manuela f. areia losa em 23 junho 2011 às 3:15
Luisa, nao fales assim de mim, pq fico atrapalhada; eu nao colaboro como devia, mas, se calhar nao podia...devido a varias circunstancias...Falaremos!
A obra do meu pai esta paradinha; esgotados, ineditos, publicaçoes no estrangeiro...Investigaçoes e estudos interessantes ate sobre Esposende e arredores, tudo baseado em belissimas fontes, tais como a Torre do Tombo ou o Jose Leite de Vasconcelos, os registos paroquiais, para nao citar mais...com um rigor cientifico que ja nao existe...Mas nao tenho "estaleca" para tanto! E um Mundo...
Algumas coisas ja vao aparecendo na Net, mas...Cada vez que penso começar, vai mais uma marretada na cabeça! So em equipa...e nao e facil sem umas "lecas" valentes, que ele ja nao teve e nos vamos pelo mesmo caminho...Sinas...Mas obrigada pelo teu carinho, sempre a disparar! Bjos!
PS: (o meu computador deixou de fazer acentos...
Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 23 junho 2011 às 2:39

Amigos, ainda não tinha tido oportunidade de vos dizer um bem-hajam pela participação nesta homenagem a José Saramago.

A Manelita, mulher de Letras e filha de um dos grandes senhores das Letras que tive a honra de conhecer, não me surpreende de cada vez que se associa a estas temáticas.

O Z A, fazendo eco de uma transcrição contida no comentário do Fernando Rites, "puxou", como ele, "a brasa para a sardinha" de Esposende, e fez muito bem, principalmente porque deu ênfase a essa síntese espectacular que é o "recado" cívico do escritor aos cidadãos de um sítio qualquer.

O Teófilo reapareceu na Ribeira a lembrar pedacinhos memoráveis do Memorial do Convento e de outras obras de Saramago.

O Fernando Rites, uma vez mais, mostrou a sua classe e prestou a todos os interessados um alto contributo. A meia dúzia de links que nos deixou sobre Saramago é excelente. A fotogaleria que aqui fica abaixo foi já um segunda prestação, e as imagens falam por si.

Ainda bem que não fiquei sozinha nesta "visita"ao nosso Nobel da Literatura, no dia do 1º aniversário da sua morte.

A cada um, o tal bem-haja e um abraço.

Comentário de Fernando Rites em 20 junho 2011 às 3:37

José Saramago - Fotogaleria

Comentário de Fernando Rites em 20 junho 2011 às 3:35
Comentário de José Alexandre Areia L Basto em 20 junho 2011 às 0:30

“Basta que ESPOSENDE seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada – sem perder nada da sua alma.”

Com este recado, o Fernando aplicou, de forma muito concreta, aqule que, para mim que não sou um literata, o essencial da mensagem de Saramago enquanto pensador e homem da sociedade. A receita é brilhante. Diz tudo. Esta frase deveria estar escrita em todas as paredes, em todos os gabinetes de decisores. Mas não só. Também na face interior da porta das nossas casas, esta síntese do espírito de permanente construção da civilização faz falta. É o princípio em que deve assentar toda a nossa conduta enquanto membros de uma comunidade. É o contributo de cada um de nós.

Comentário de Teofilo E Costa Moreira + Ló em 19 junho 2011 às 15:35

Que dizer de Saramago que ainda não fosse dito? Que dizer dum pai que vendeu a terra que tinha mas que sabia ir-lhe fazer falta, só porque um rei chamado João queria ter um filho que uma rainha austríaca feia teimava em não lhe dar e para isso mandou erigir um convento delapidando nele muito que fazia falta ao reino para se engrandecer? Que dizer do homem que não permitiu ao homem da cama vinte e sete que partisse, nem que os acidentes da estrada, por mais graves qu tivessem sido, não levassem a que a ceifeira sobre eles se abatesse? Que dizer do Homem que se levantou do chão apenas com uma pluma e conseguiu subir mais alto que a nave do Gusmão? Que dizer ainda de quem fez navegar uma jangada de pedra, sabia que os rancores dos deuses eram mais duradouros do que os dos homens, que se maravilhava com um copo de água, e que a pintura era apenas a literatura feita com pincéis?

Sempre se chega aos sitíos onde nos esperam, nós esperamos por ele, aqui, e aqui o temos, diariamente, ao alcance da mão, basta querer estar com ele.

Comentário de Fernando Rites em 19 junho 2011 às 4:47

Oi, Luisinha, amei o seu texto.

Aqui vai uma singela colaboração/homenagem  ao "mago que nos pôs a pensar".

"ZÉ SARAMAGO NO ERA UN NIÑO VAGO

JUGABA SOLO NO CON LOS DEMÁS

Y CON EL TIEMPO SE VOLVIÓ UN GRAN MAGO

QUE HACE QUE PENSEMOS MÁS"

 

Links para:

O canal da FJ Saramago no YouTube

http://www.youtube.com/user/FJSaramago

José Saramago no Jornal da Globo - Parte 1 de 2

http://www.youtube.com/watch?v=4XDmsXWlDqE

José Saramago/Metropolis

http://www.youtube.com/watch?v=BZgiUXo7pHM

A Maior Flor do Mundo | José Saramago

http://www.youtube.com/watch?v=YUJ7cDSuS1U

Assista à íntegra da entrevista com José Saramago (1997)

http://www.youtube.com/watch?v=Wt8qVW2xlzU

Viúva de Saramago define livro póstumo como presente inesperado.

http://www.youtube.com/watch?v=ZkT6pWeP6d0

 

 Aqui vai um trecho de "Palavras para uma cidade":

“Arrebatado por aquele louco amor e aquele divino entusiasmo que moram nos poetas, Camões escreveu um dia, falando de Lisboa: “…cidade que facilmente das outras é princesa”. Perdoemos-lhe o exagero. Basta que Lisboa seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada – sem perder nada da sua alma. E se todas estas bondades acabarem por fazer dela uma rainha, pois que o seja. Na república que nós somos serão sempre bem-vindas rainhas assim.” (Palavras para uma cidade/ José Saramago)

Um recado à nossa Ribeira:

 “Basta que ESPOSENDE seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada – sem perder nada da sua alma.”

Abraços, "BONS DIAS"

 

Comentário de maria manuela f. areia losa em 19 junho 2011 às 2:43
Já não será a 1º vez, Luisa, que é abordada aqui qualquer coisa,creio. Mas, para já, lembro que, na Sic, deu hoje a 1ª parte do filme  " José e Pilar"  e amanhã,domingo, será transmitida a 2ª. Para quem não viu no cinema...É depois da telenovela, que não sei como se chama...Abraço.

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