ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

.....Não sou dada a pessimismos estéreis, que desencadeiam lamúrias e maus presságios, contagiando na mesma onda negra quem se encontra por perto. Sou dada a um optimismo realista, a uma confiança natural no bom desfecho dos acontecimentos, sem contudo perder o contacto com o chão onde caminho, cujas agruras não menosprezo.

.....Arranjei uma metáfora para sopesar a vida. Exactamente uma balança. De dois pratos, claro, porque pretendo comparar duas cargas _ a negativa e a positiva.

.....Detenho-me no prato das coisas más _ quem as não tem, desde os lutos às doenças e aos conflitos _ e evito optimismos levianos e inconsistentes, que me toldam o sentido da prudência. Detenho-me no prato das coisas boas _ quem as não tem também, tantas, a começar pela saudação matutina do sol, radioso ou cinzento, mas sem falha _ e evito pessimismos deprimentes que me tolhem os passos e me roubam a alegria.

.....A metáfora tem-me ajudado a encarar a vida com confiança, porque, na hora do balanço da balança, o prato bom pesa quase sempre muito mais. À dor dum adeus definitivo contraponho a alegria dum novo nascimento, às terríveis doenças contraponho as fantásticas curas, aos conflitos contraponho os perdões, os abraços e a paz. Entretanto o sol, esse, está sempre lá. E eu não sou masoquista.

.....Termino com uma pequena frase, recolhida algures e adaptada ao meu jeito (motivo por que não vai entre aspas): Não amaldiçoo o vento que sopra nem garanto que vai serenar; ajusto a vela do meu barco e navego com confiança.

Braga, 07 de Abril de 2015

Luisinha 

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Comentário de Luis Lamela e Lili Lamela em 16 abril 2015 às 8:11

Ampliando  a imagem do prato mau:

Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 16 abril 2015 às 0:06

Pois é, Luisinho, comentários ilustrados é mesmo contigo.

Pena que a imagem do prato mau não esteja muito nítida. Dá para supor uma cena de morte, a que a vinda de um bebé se contrapõe, como diz o texto.

Comentário de Luis Lamela e Lili Lamela em 15 abril 2015 às 22:07

Só não pus antes porque está mal acabado. Mesmo assim aqui vai.

Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 9 abril 2015 às 22:55

Porque uma imagem vale mais que mil palavras, seria ouro sobre azul aparecer um "comentador" capaz de ilustrar a metáfora do texto. Uma balança de dois pratos, cada um com um exemplar de cada carga, viria a matar. O grande mestre desta arte é o Luisinho, meu querido irmão, mas não o tenho visto por aqui ultimamente. Quem sabe se não irá ler isto e alinhar no desafio? 

Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 9 abril 2015 às 1:24

Queridíssimo primo, não sei se a esta hora da noite, tendo acabado de falar com uns amigos acerca de viagens e comida, ainda serei capaz de elaborar algum comentário ao teu filosófico comentário.

O meu singelo texto apenas aconselhava a encarar a vida com optimismo (não com ligeireza ou leviandade). De tão singelo que é, nem merecia aportações sonantes como Schopenhauer ou os hedonistas (ainda podias meter também os epicuristas e a sua moderação do prazer como forma de atingir a felicidade). Mas gostei do «beijo que vale um milhão de lágrimas num dos extremos». Pensei até que irias desenvolver, a partir daí, a teoria da relatividade, e que ao senhor Schopenhauer se juntaria o senhor Albert Einstein.

O que nunca imaginei é que também aqui viesse parar a banda desenhada do Asterix, juntando-se aos outros pomposos nomes o dos criadores Goscinny e Uderzo (não sei se isto se escreve assim). Mas quanto à frase famosa do senhor Abraracourcix, parece-me que não constitui lema nenhum, nem prosaico nem poético, porque só traduz uma emoção _ medo _ e não uma forma de agir. De resto, quando entram em cena punções mágicas, passa-se para o reino do faz-de-conta e aí tudo pode ser cor-de-rosa.

Vai longo este arrazoado, que remato deste modo: obrigada por me teres dado oportunidade de regressar à Filosofia, de que tanto gosto. Orgulho-me de ter um primo assim.  

Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 8 abril 2015 às 22:57

Paulinha, minha amiga, começo por lhe agradecer as suas palavras generosas e encorajadoras.

Fico contente por ter sempre quem diga alguma coisa sobre as coisas simples que escrevo ao correr da pena, sem pretensões e até com algum receio de não despertar interesse entre os amigos esposendenses. A minha amiga tem sido uma das pessoas que não me deixam a falar sozinha.

Entretanto, gerou-se aqui alguma confusão provocada pelo comentário do meu primo, que foi parar ao seu texto, dizendo respeito ao meu. A relativa proximidade de temática sugerida pelos nossos dois títulos deve ter sido causa da dita confusão.

Vou escrever em seguida um comentário à sua postagem.

Deixo-lhe um beijinho.

Comentário de Manuel José Igreja Nunes Beirão em 8 abril 2015 às 22:52

Pois é, querida Prima.

Entraste num tema perigoso e polémico.

Como já não estás sozinha, vou ser breve.

Desde os hedonistas, defensores da felicidade pura, até ao pessimista Schopenhauer, há toda uma escala de valores.

Um beijo, vale um milhão de lágrimas, num dos extremos.

Mas, se pensarmos assim, cada atitude feliz, é, digamos, um prenúncio de infelicidade intensa.

E, isto seria mau para o equilibrio do individuo.

Na tua frase-citação ainda tens a atitude de mudar a vela.

Eu, mais prosaico, sigo o lema do Abraracourcix:

"Só tenho medo que o céu me caia na cabeça. E, que amanhã não seja a véspera desse dia"

Grande beijo.

E, como vês, tens sempre companhia

Comentário de Maria Paula Fernandes Ferreira em 8 abril 2015 às 21:13

Luisinha.

Como sempre, sou acérrima apreciadora dos seus textos. A Balança da Vida foi mais um que me encantou. Hoje, precisamente, contava eu dedicar um pouquinho de tempo a este espaço e eis que,de repente, me tocam à porta e me trocam as voltas. Mas enfim... Um pouco de tempo com os amigos foi muito salutar e, como diz no seu texto, ajustei a vela do meu barco e lá se foi a contrariedade inicial. Consegui, agora,um pouquinho  de tempo para continuar este simples comentário que ficou interrompido.   

Apeciei, igualmente, o que escreveu a propósito do Dia Mundial da Saúde que infelizmente anda doente, como todos sabemos.

Tudo o que lá diz é de uma extrema importância para um leitor atento ! Ajuda imenso.

Parabéns, Luisinha por esta oportuna intervenção. E de uma coisa já tem a certeza. Não ficou a falar sozinha. 

Bjs

Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 8 abril 2015 às 1:14

Começo eu própria por comentar o meu texto, para acrescentar o seguinte: no Dia Mundial da Saúde, que hoje se celebra, é importante pensarmos quanto o nosso psiquismo interfere no bem-estar e na saúde do organismo. Concretamente, quanto os sentimentos negativos e depressivos, o pessimismo sistemático, a tristeza e a nostalgia, prejudicam o funcionamento desta máquina fabulosa que é o nosso corpo.

Acrescento também que, graças ao meu optimismo realista (baseado na colaboração maravilhosa repetida neste blog), volto a acreditar que...não vou ficar a falar sozinha. Irei?...

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