ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

A MORTE ( OU A VIDA) TE LEVOU
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Mãezinha,
quantas vezes cheguei perto de ti
e meu coração em desassossego de imediato
te reconhecia ali, serena, esperando a sucessão
dos dias num abraço de rotinas.
Sentavas-te alheia à efervescência da vida
Imersa na ausência, ainda que os poentes ardentes
fruíssem na janela o fim de cada tarde.
Sabia da tua longa idade, mas a cintilação azul
do teu sorriso e a ternura do teu olhar emanavam
uma luz sentida que repelia o envelhecer.
Depois, o musgo dos teus olhos reflectiu a escuridão
e, cansados, recusaram o novo dia
ao decifrar a morte pelo alvoroço de seus passos
nas veias do teu corpo;
qual árvore tombada sob o vento norte, aceitaste-a,
silenciosa, e partiste à descoberta desse lugar
de mistério e amor onde moram os entes celestiais.
Entretanto o pôr-do-sol preparou a noite,
o frio coalhou a madrugada e os botões de rosa
floriram numa explosão de cor …Somente tu
já havias partido, soberbamente bela. Para te não esquecer
pintarei o cobre numa tela, tecerei a oiro a claridade da manhã,
desfolharei uma rosa eterna… e pensarei alcançar
a tua alma que, tranquila, partira para se erguer,
altiva, na incandescência de uma estrela.

Bernardete Costa

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Comentário de José Reis Loureiro em 27 setembro 2010 às 0:15
Cara Bernardete. Não tenho o prazer de a conhecer pessoalmente, mas congratulo-me com as comoventes palavras que dedica à memória de sua Mãe! Quem já passou por isso, penso que está mais capaz de sentir a força do seu poema. Para si vai toda a minha solidariedade. José Reis
Comentário de Maria Paula Fernandes Ferreira em 2 setembro 2010 às 23:16
Olá, Bernardete
É só para te deixar um beijinho. A tua mãe continuará sempre contigo,assim o sentirás. O belo poema com que a homenageaste é a ternura desse elo que nunca acabará.
Comentário de juvenal silva em 2 setembro 2010 às 19:44
Cara Amiga, tive o prazer de conhecer a tua Mãe. Neste momento do "eterno" até já, recebe a minha amizade, a minha ternura e toda a minha solideriedade. Até sempre, porque sempre terás a imagem e a presença da tua Mãe, que te acompanhará e te confortará
Comentário de bernardete costa em 2 setembro 2010 às 0:06
Outro, beijo
Bernardete
Comentário de MARGARIDA REIS em 2 setembro 2010 às 0:02
Acho que não há palavras nestes momentos,apenas um grande abraço.
Comentário de bernardete costa em 1 setembro 2010 às 13:51
Beijinho, também para ti, Firmina.
Obrigada,
Bernardete
Comentário de Firmina Ferreira Morgado em 1 setembro 2010 às 12:09
Amiga Benardete.
O momento é difícil eu sei, já por mim passou mas a melhor homenagem que pudemos fazer,é lembrar e seguir os seus ensinamentos,porque dentro do nosso coração, elas ficarão para sempre.Coragem e um beijinho.
Firmina Morgado
Comentário de Lino António Silva Martins Rei em 1 setembro 2010 às 11:47
Os meus e nossos sentidos pêsames.
O blogue também é solidariedade na dor pelos nossos amigos.
São momentos de partilha no luto, sentidos também por quem por eles passou, há mais ou menos tempo.
Sobram por demais as palavras e onde o simples SILÊNCIO enche por completo a nossa alma.
Tão gritante como a grandeza em vida de cada uma das nossas MÃES.
Estamos todos contigo, Bernardete.
Comentário de bernardete costa em 1 setembro 2010 às 11:01
Estimada Augusta (por favor, trate-me só pelo meu nome):
Obrigada pelas suas palavras de encorajamento.
Com afecto,
bernardete
Comentário de Augusta Eugenia da Cunha Eiras em 1 setembro 2010 às 10:51
Senhora dona Bernardete
È uma perda muito grande quando perdemos nossa mãe, sei como se sente porque também
já perdi a minha há muitos anos e ainda hoje sinto a sua falta.Dou graças a Deus porque ela me preparou para a vida. È lindo o poema que dedicou a sua mãe Jesus a tenha em sua eterna gloria. Meus sentidos pesamos Um beijinho da Augustinha (muita coragem)

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