ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

Morreu ontem à noite a nossa Mina!
Sinto uma desolação sem fim!
A Mina foi minha companheira de escola durante muitos anos, na “primária”, ambas alunas da nossa “titia” Beirão, e no Infante de Sagres, primeiro na casa velha do Largo do Rego, e no último ano já na nova casa, hoje escola E.B.2.3. Com ela partilhei as brincadeiras próprias daquela idade endiabrada e despreocupada, em que, nós como os nossos colegas de estudos, fazíamos trinta por uma linha.
Muito tempo depois disso, já mulheres e mães, demos frequentemente connosco a recordar esses anos inesquecíveis do colégio, durante os quais fomos sempre, no dizer idiomático, “unha e carne”, nas partidas aos professores (Que de imaginação, aquela nossa, para partidas que apenas tinham graça e não falta de respeito!) e na organização de pequenos eventos, bastando que uma de nós dissesse “mata-se”, que logo a outra respondia “esfola-se”.
Voltámos depois a ser colegas, ambas professoras na UAE _ Universidade Autónoma de Esposende _ ela a ensinar Inglês e eu Português, numa turma de alunos na qual se incluíam senhoras que haviam sido nossas catequistas, como no caso das saudosas manas Amelinha e Ermelinda Areia.
Mas a nossa Mina não foi apenas minha colega de escola, como aluna ou como professora; foi minha parceira de muitas coisas: dos teatros, danças e cantorias da pré-joc, dos peditórios pelas casas, cujo produto já nem me lembro a que se destinava (sempre destinos sérios…), de vendas de rifas para angariar fundos, certamente com os mesmos objectivos sérios, de muitas outras actividades que enchiam de entusiasmo e cumplicidades os nossos tempos livres _ felizes tempos livres _ num tempo em que brincávamos na rua, jogando ao “mata” ou ao “pilha”, este último jogo junto ao velho fontenário, que mudou de sítio, mas continua a guardar essas gratas memórias.
A nossa Mina deixa muitas saudades e um capital enorme de marcas de Bem, que a fazem digna da nossa mais profunda admiração. Foi uma Esposendense dos quatro costados, que postou neste blog muitos testemunhos disso mesmo, nomeadamente com as suas pitorescas histórias, agrupadas no título “A saga continua”.
Foi um exemplo de generosidade, solidariedade e espírito de serviço, dos maiores entre os maiores. Que o diga a sua família mais chegada, que dela recebeu, enquanto a pôde dar, ajuda incondicional em momentos difíceis, e aquele apoio absoluto, sem tréguas, qual “mamã” protectora de todos, qual teto firme sob o qual todos se abrigavam.
Minha querida amiga de sempre, a tua partida enche de mágoa o meu coração. A nossa cidade, que tanto amavas, fica chorosa como eu. Acompanhar-te-emos amanhã, na última procissão (fomos juntas em tantas!), com muitas, muitas saudades de ti.
Braga, 30 de Maio de 2019,
Luisinha Lamela

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Comentário de AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda em 3 junho 2019 às 1:23

Bonita homenagem à MINA, Luisinha. Estamos sensibilizados por sua dor. 

Comentário de Maria Paula Fernandes Ferreira em 1 junho 2019 às 19:29

Uma grande homenagem à nossa querida Mina. Este texto, Luisinha, retrata bem a Mina que nós conhecemos. Nada mais há para acrescentar.

Fica uma saudade profunda. Descansa em paz amiga.

Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 30 maio 2019 às 18:51

Com muita pena minha, não consigo que este texto sobre o falecimento da Mina Morgado apareça na página principal do blog. Quem tiver interesse em lê-lo, por favor procure-o no meu blog.

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