ESPOSENDENSES - NA RIBEIRA OU NO MUNDO

O encontro de todos os filhos ou rendidos ao Privilégio da Natureza

Pois... Avivaram-se as saudades! As saudades da Ema (peço desculpa, mas nunca a tratei pessoalmente por Eminha) e do blog.

Obrigado, Luisinha e todos, por este sopro na vida deste nosso socairinho. Aqui segredamos um pouco do que nos vai na alma e confidenciámos muitas das emoções que tínhamos guardadas. A evolução dos tempos não perdoa e as ferramentas ao dispor são hoje mais do que muitas para a malta comunicar. Chegamos a todos e a todo o lado em frações de segundo. Ainda bem! Mas, de facto, não há nada como o primeiro encontro e o primeiro lar.

Aqui estão repositadas (não sei bem se este verbo existe. Veja lá, Luisinha, sff) carradas de sentimentos que fazem parte da alma da nossa terra. Uma alma que nos pareceu fossilizada, mas que muito nos surpreendeu. Estava bem viva, a precisar de ser redescoberta. Foi uma alegria o que constatámos. Arrisco-me a pensar que, por ventura, venha a haver (ou haja já) reflexos deste fenómeno na sociedade esposendense. Se isso for possível, que as visões de fora (de curta e de longa distância) e de dentro possam contribuir positivamente para o bem-estar dos esposendenses. Se as houver, certamente que contribuirão.

Será, talvez, este o tempo de reanimar esta rede. Claro que os outros veículos não lhe deixam muito tempo. Ocupam demasiado espaço para o conteúdo que lá circula e os debates que não conseguem gerar. A atividade é frenética e as reações instantâneas. Funcionam por impulsos, sem amadurecimento, sem calma e, até, sem respeito. Penso principalmente no Facebook. Gosto da plataforma e uso-a com alguma intensidade (apesar de lhe dar um uso apenas residual em matérias relacionadas com Esposende), mas as desilusões são constantes. Ali, a alma, se existe, perde-se. É trucidada por avalanches de manifestações desconexas. De facto, jamais o Facebook será um socairinho.

Poderá acontecer de o cansaço nos fazer refrear entusiasmos fugazes e encostar, de novo, ao essencial, à razão e ao sentimento, à amizade e à saudade. À saudade de nós.

Um abraço

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Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 28 novembro 2017 às 19:21

Zé Alexandre, eu nem acredito no que vejo! Por momentos, passando os olhos na página principal, recuei uns anos e senti-me no socairinho de outrora, o que acolhia da nortada muita gente ao mesmo tempo.

Que “onda” foi esta que se “alebantou”?!!!

Acho que começou na Ema Lamela (o nº 41 pode ser o nosso da sorte), passou pelos comentadores de serviço, sempre generosos, entre os quais um Z A  inspirado e nostálgico que, em novo post-obra-prima, nos levou até às «SAUDADES DE NÓS». Convenhamos que «saudades de nós» é coisa profunda, capaz de remexer o pessoal por dentro.

Já me ia esquecendo de um importante “pormaior”: o seu texto tem outra preciosidade _ o “repositar”!!! Como não existe no vocabulário português normal, próprio de gente comum, passa a existir como termo exclusivo dos Esposendenses.Um luxo! É para acrescentar ao socairinho e ao aloquinho. Aloquinho não existe mesmo em parte nenhuma, porque foi inventado pelo nosso Titô, para designar um petisco saboreado antes de irmos dormir, nas inesquecíveis férias de verão da casa do adro. Socairo vem no dicionário como sinónimo de abrigo. Mas quem de nós diz alguma vez socairo em vez de socairinho?!!! Nem pensar! Socairinho é que é, é só nosso e pronto.

Há que agarrar a onda , Z A. Pela minha parte, farei o que puder. Brevemente vou repositar um quebra-cabeças de torneiras. Será que o pessoal alinha? 

Comentário de José Reis Loureiro em 28 novembro 2017 às 18:05

Meus amigos: mesmo sem trabalhar acho que já ganhei o dia! Logo que recebi a mensagem da Luisinha, corri a ver o que de novo aqui se passava mas vi-me com o problema que já não era novo: a palavra passe, que eu esquecera e que me impediu, a partir de certa altura de continuar vir aqui encontrar-me convosco. Ainda falarei a cerca disto noutra altura, mas agora não quero perder tempo, interessa-me mais dizer o quanto estou contente com aquilo que li aqui, a começar pelo Zé Alexandre. Aleluia... vamos reanimar o SOCAIRINHO! Eu estou disponível para alinhar na reativação deste ponto de encontro tão querido para todos nós. Interessa juntar ideias para conceber a forma de como trazer de volta toda malta ainda dispersa. Agradeço à Luisinha a maçada que teve em avisar-me e espero que rapidinho nos encontremos todos aqui a usufruir do calor do Socairinho.

Comentário de José Alexandre Areia L Basto em 28 novembro 2017 às 9:26

Deixaram-me mudo!.. Embargado e corado. São uns queridos!

Este é, de facto, um espaço de amizade.

Comentário de AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda em 27 novembro 2017 às 20:33

Deus meu do Céu!  Não bastasse o belo escrito do Z.A. e vem a Luisinha com estas palavras tamanhas. Muto bem! Muito bom!  

Comentário de Luisa Lamela Gomes dos Santos em 27 novembro 2017 às 20:01

Como não comentar este post? Como não tentar divulgá-lo? Enviei mensagem a todos os amigos do blog (só há pouco tempo aprendi este mecanismo!!!), pedindo que o leiam.

Z A, este texto é a sua obra-prima. Literária, obviamente. Mais “prima”, mais “prima”, só mesmo a criação do blog, sem o qual se perderiam outras obras-primas, como uma célebre peça de teatro colectiva, composta por não sei quantos “dramaturgos” de ocasião, numa inesquecível noitada que ainda hoje me faz rir. Metia monges em debandada (não sei se eram os monges “chagados” dum célebre quebra-cabeças do Eugénio), uma cabeleireira e muitas peripécias inimagináveis. Lembra-se?

Há dois “pedacinhos” do seu texto que são preciosidades: «o facebook nunca será um socairinho» e….«saudades de nós». Sei que não é pessoa de apreciar elogios, mas este tenho de o dar, não respeitar critérios literários, mas porque esses pedacinhos entram na alma como um afago.

Não estou no facebook. Nunca estive. Estou só no Esposendenses na Ribeira e no Mundo. Porque este é o lugar onde há um adro da igreja matriz que abriga o pessoal da nortada e do frio. Este é o lugar onde aprendi o que quer dizer “socairinho” e ensinei o que quer dizer “aloquinho”, duas palavras só nossas, que mais ninguém entende. Este é o lugar onde falo do meu pai, da minha mãe, da Eminha, da Titia e do Titô, sabendo que toda a gente conhece a minha gente. O lugar onde falo da D. Amelinha Areia e da D. Ermelinda, do Pedro Losa, da Graça Migueis, da Cândida do Manel Maria, do Dr. Reis, do Nelson da Augustinha, que já partiram e deixaram mais pobre a nossa terra. O lugar onde não moro sempre, mas que vem ter comigo em imagens lindas, partilhadas por talentosos artistas. O lugar onde me divirto com mil e uma piadas, grande parte das quais vinda do outro lado do oceano, desse Brasil imenso aqui presente quase em carne e osso. O lugar onde chamo a um amigo Carlinhos da Jandira ou Carlos da Jandirinha. O lugar onde não acontece esta mágoa: «a alma, se existe, perde-se».

Z A, amigos, temos de matar as «SAUDADES DE NÓS».

Vamos pensar nisso? Ou vamos já a isso?  

Comentário de Maria Paula Fernandes Ferreira em 27 novembro 2017 às 18:36

Concordo, Zé Alexandre.

É aqui que me sinto em casa, ou seja, no Socairinho. De vez em quando vem uma lufada de ar fresco e acho que isto vai melhorar. Que seja perene, como diz António Jorge.

Comentário de AntonioJorgeMotaCruz e MªArminda em 27 novembro 2017 às 16:32

Palmas para o Z.A. . Comungo do mesmo pensamento dele. Uso de todos os meios disponíveis para me comunicar, com reservas em alguns. Todos têm virtudes e defeitos. Mas aqui, eu sinto-me presente na origem. Que este nosso socairinho seja perene e, assim, unguento para a saudade de nós.  

 

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